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Crise na Grécia

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Tsipras diz que Grécia aplica políticas de esquerda apesar do resgate

© Yiannis Kourtoglou / Reuters

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou esta quinta-feira que o seu Governo teve capacidade para impor uma marca de esquerda e aplicar políticas sociais apesar das adversidades do programa de resgate imposto pelos credores internacionais.

No seu discurso de abertura do II Congresso do Syriza, Tsipras defendeu ter assinado o resgate como a única opção viável para evitar a saída do euro e salvar um país que tinha perdido um quarto do seu poder económico e se confrontava com uma taxa de desemprego de 27%.

"A saída da Grécia do euro não era e não é um plano progressivo", sublinhou numa alusão às correntes mais à esquerda que defendem esse caminho e que entretanto abandonaram a formação.

"Desencadeámos um programa para a gestão da crise humanitária... um programa para combater o desemprego com o destaque no respeito pelos direitos laborais... o acesso aos hospitais aos que não têm seguro de saúde, e defendemos o caráter público da segurança social", assinalou, mas sem aludir às medidas de austeridade que o seu executivo também aplicou.

O Congresso do Syriza decorre sob o lema "Com a esquerda até à Grécia que merecemos: Justiça social -- Democracia -- Crescimento equitativo".

Até domingo, cerca de 3.000 mil delegados reunidos no estádio Tae Kwon Do de Atenas -- que integrou o complexo olímpico nos Jogos de 2004 -- vão debater a redefinição de um partido que apenas há três anos era uma formação minoritária mas que em janeiro de 2015 venceu as eleições legislativas com 32,6% dos votos. Hoje, indicam as sondagens, é de novo um partido em recuo.

Uma das questões em discussão será a relação com o Movimento Socialista Pan-Helénico (Pasok) e com a social-democracia europeia. No Parlamento europeu os deputados do Syriza integram o grupo da Esquerda Unida Europeia (GUE/NGL) mas Tsipras já foi convidado a participar em reuniões do grupo Socialistas e Democratas (S&D).

Outra questão central reside na definição do caminho a seguir por um partido proveniente da fusão de diversas organizações da esquerda radical mas que está a pagar o preço do poder sacrificando promessas eleitorais, erosão interna e desilusão do eleitorado.

Após três importantes vitórias eleitorais em 2015 (legislativas de janeiro e setembro e no referendo de julho sobre as medidas de austeridade impostas pelos credores internacionais), e a formação de um governo de coligação com os populistas conservadores dos Gregos Independentes, as recentes sondagens referem-se a um recuo para cerca de 20% das intenções de voto, e um regresso da Nova Democracia (ND, direita) como partido mais votado.

A contradição entre o programa do partido, assente numa política antiausteridade, e a sua prática governativa, muito dependente das exigências dos credores após a aplicação do terceiro resgate em meados de julho -- e que tem implicado sucessivas e contestadas vagas de privatizações --motivaram cisões internas e debates acalorados, mas a reeleição de Tsipras para a liderança do partido não parece em risco apesar de uma contínua erosão política.

Uma recente sondagem do instituto Public Issue e publicada pelo diário do Syriza "Avyí" indica que 90% dos inquiridos se afirmam insatisfeitos com trabalho do Governo, mas 80% também mantém a mesma opinião em relação à oposição.

Ao tentar contrariar esta tendência, e ainda no seu discurso de abertura de hoje, Tsipras referiu que o Governo tem um plano com objetivos concretos de crescimento económico e de medidas sociais para conseguir reduzir o desemprego a 10% até 2021.

O chefe do Governo grego disse ainda que a maior arma de Atenas nas negociações com os credores internacionais é o respeito pelo acervo comunitário, numa alusão ao conflito entre o FMI e os credores europeus da Grécia sobre a liberalização dos despedimentos e as restrições do direito à greve.

Tsipras sublinhou ainda a importância de formar uma "frente comum" no sul da Europa que contrarie as disparidades regionais e garante uma convergência económica entre todos os países, para forjar uma "alternativa progressista" no continente.

Lusa

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