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Guterres na ONU

Ban Ki-moon diz que António Guterres é uma "escolha maravilhosa"

Ban Ki-moon diz que António Guterres é uma "escolha maravilhosa"

O ainda secretário-geral da ONU elogiou a escolha de António Guterres para suceder ao cargo. Ban Ki-moon disse esta quinta-feira que, além das qualidades que apresenta, alia a experiência no cargo de Alto-Comissário das Nações Unidas para os refugiados à carreira política que desempenhou em Portugal.

Ban Ki-moon sublinhou que Guterres - confirmado esta quinta-feira no novo cargo por aclamação da Assembleia-geral da ONU, reunida em plenário na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque - é "conhecido por todos" na organização internacional, que, aliás, "conhece por dentro".

Mas "é talvez mais conhecido onde contou mais, na linha da frente do conflito armado e do sofrimento humanitário", sublinhou Ban Ki-moon, referindo-se ao papel de Guterres enquanto alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, cargo que ocupou durante dez anos.

"Os seus instintos políticos são os das Nações Unidas", frisou.

Ban Ki-moon - que chegou a manifestar a sua preferência por uma mulher para liderar a organização - frisou ter a certeza de que Guterres "reconhece a importância da capacitação das mulheres".

Uma parte da comunidade internacional apoiou o objetivo de fazer eleger uma mulher para liderar a organização, o que nunca aconteceu.

Tal não aconteceu, mas Ban Ki-moon não deixou de elogiar a escolha de Guterres e a forma como o processo de seleção do próximo secretário-geral foi feito.

Para felicitar o seu sucessor designado, o ainda secretário-geral sul-coreano recorreu ao espanhol "felicitaciones" e ao português "parabéns".

Ban Ki-moon está há uma década à frente das Nações Unidas, "o trabalho mais impossível do mundo", como dizia o norueguês Trygve Lie (no cargo no período 1946-1952).

Entre os críticos que o consideram o pior secretário-geral de sempre, com pouco carisma e fugindo de decisões difíceis, e os apoiantes do hábil negociador que liderou com estabilidade uma década complexa, o britânico The Telegraph perguntava, num artigo recente, se o mundo iria ter saudades de Ban, quando este deixar o cargo, antecipando que, "provavelmente, não".

Escolhido para liderar uma organização em crise, de confiança e recursos, com nove mil funcionários e um orçamento anual de cinco mil milhões de dólares (4,5 mil milhões de euros), Ban Ki-moon - que vai manter-se em funções até 31 de dezembro - surge agora como provável candidato à Presidência da Coreia do Sul, onde goza de grande popularidade.

Com Lusa