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Construtora investigada tinha departamento de subornos

Os investigadores federais da Operação Lava Jato, que apura os esquemas de corrupção na Petrobras, disseram hoje que descobriram um setor inteiramente destinado ao pagamento de subornos dentro da construtora Odebrecht.

Segundo a delegada federal Renata Rodrigues, as informações descobertas nesta fase, sobre a contabilidade da construtora para pagamento de subornos, indicam que este setor funcionava como uma organização criminosa.

As investigações na Odebrecht ganharam força depois das autoridades encontraram vários documentos, designadamente gráficos de Excel na 23.ª fase da operação Lava Jato, com o nome de código Acarajé, com dados sobre pagamentos em dinheiro e transferências para o estrangeiro dedicadas a centenas de recebedores.

Renata Rodrigues também explicou que assim que foram iniciadas as investigações sobre as atividades ilegais da Odebrecht, a empresa adotou medidas para retirar os funcionários envolvidos do Brasil.

"Desde altos diretores até secretárias foram retirados do Brasil, convidados a morar no exterior, como forma de proteger a informação e também viabilizar a continuidade do esquema ilícito. Se observou que de fato houve a continuidade dessa atividade ilícita", afirmou.

Os pagamentos feitos pela construtora estão relacionados com diversas obras e serviços prestados ao governo federal e também a governos estaduais e municipais.

Até agora, a operação rastreou oito contas mantidas por doleiros (operadores do mercado paralelo de câmbio) a favor da construtora. Numa delas, foram identificados 16,2 milhões de euros disponíveis para o pagamento de subornos no exterior.

Entre as obras citadas pelos promotores está a Arena Corinthians, em São Paulo, um dos estádios de futebol do campeonato do mundo de 2014 e obras do metro do Rio de Janeiro.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima também citou que entre os setores da construtora que autorizava e também solicitava pagamentos ilícitos estão a Odebrech infraestrutura, África Emirados Árabes e Portugal.

Nas tabelas usadas para justificar a operação, com dados de 2014 e 2015, constavam valores, endereços e nomes de código dos que recebiam subornos, entre os quais a sigla MBO.

Segundo a equipa responsável pelas investigações da Lava Jato, MBO corresponde a Marcelo Bahia Odebrecht, presidente-executivo da companhia.

Em sua defesa, o empresário diz que não tinha conhecimento de todas as estruturas da Odebrecht e que não participava diretamente do quotidiano das empresas do grupo.

Já a procuradora federal Laura Gonçalves Tessler contradiz a versão do acusado, afirmando que além das referências existentes nas tabelas, existiam anotações dos telemóveis do executivo.

"Isso reforça ainda mais a convicção de que Marcelo Odebrecht não só tinha conhecimento como comandava toda essa sistemática de pagamento de propina (suborno)", destacou.

A 26.ª fase da Lava Jato, com o nome de código Xepa, mobilizou perto de 380 polícias federais desde o início da manhã, que estão a investigar a estrutura interna da Odebrecht.

No total, os agentes cumpriram 110 ordens judiciais no Distrito Federal e nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Piauí, Santa Catarina e Pernambuco.

Destas ordens judiciais, 67 são mandados de busca e apreensão, 28 de condução coercitiva, 11 de prisão temporária e quatro de prisão preventiva.

Lusa

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