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Governo confia no Senado para travar destituição

O ministro-chefe do gabinete da Presidente do Brasil, Jaques Wagner, disse hoje que confia nos senadores para travarem o pedido de destituição de Dilma Rousseff, um processo que ameaça "interromper 30 anos de democracia".

Dilma Rousseff com Jaques Wagne, ministro-chefe do gabinete da presidência do Brasil.

Dilma Rousseff com Jaques Wagne, ministro-chefe do gabinete da presidência do Brasil.

© Adriano Machado / Reuters

"Confiamos nos senadores e esperamos que seja dada maior possibilidade para que ela apresente a sua defesa, e que lhe seja aplicada justiça. Acreditamos que o Senado, que representa a federação, possa observar com mais nitidez as acusações contra a Presidente, uma vez que atingem também alguns governadores de Estado", disse.

Jaques Wagner qualificou como um "retrocesso" a decisão dos deputados que hoje aprovaram o pedido de 'impeachment' (impugnação) da Presidente.

A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou, esta madrugada, o pedido de afastamento de Dilma Rousseff do cargo de Presidente por 367 votos a favor e 137 contra, sete abstenções e duas ausências. O processo segue agora para o Senado.

Para o governante, a decisão da Câmara dos Deputados "ameaça interromper 30 anos de democracia no país", porque Dilma Rousseff não cometeu nenhum crime de responsabilidade.

A possibilidade de impugnação do mandato de Dilma Rousseff surgiu na sequência da revelação das chamadas "pedaladas fiscais", atos ilegais resultantes da autorização de adiantamentos de verbas de bancos para os cofres do Governo para melhorar o resultado das contas públicas.

"Foi uma página triste virada pelos deputados que concordaram com argumentos frágeis e sem sustentação jurídica do relatório do deputado Jovair Arantes", afirmou, numa nota citada pela imprensa brasileira.

O processo, considerou, foi "orquestrado por uma oposição que não aceitou a derrota nas últimas eleições, e que não deixou a Presidente governar, boicotando suas iniciativas e a retomada do desenvolvimento do país".

"Os deputados fecharam os olhos às melhorias dos últimos 12 anos, aos avanços, à inclusão social, índices históricos de crescimento económico e à redução da pobreza", lamentou.

Se o Senado aprovar o processo, a Presidente é temporariamente afastada do cargo, sendo substituída pelo vice-presidente, Michel Temer.

Lusa

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