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Manifestantes pró-governo preparam revolta e opositores querem eleições no Brasil

Manifestantes pró-governo prometem parar o Brasil, com ocupações e ações de revolta não-violenta, enquanto os apoiantes do afastamento da Presidente Dilma Rousseff defendem novas eleições.

© Ricardo Moraes / Reuters

No dia após a Câmara dos Deputados ter aprovado a abertura de um impeachment (destituição) da Presidente Dilma Rousseff, vários manifestantes a favor e contra o processo ainda permanecem em Brasília, depois de vários dias em protestos na capital, e prometem mais ações de luta para o futuro.

Apesar de milhares dos que vieram até Brasília durante o fim de semana já terem partido, no acampamento dos apoiantes do Governo cerca de 200 pessoas ainda se encontravam no local esta tarde.

Saulo Dias, da Juventude do Partido dos Trabalhadores (PT), vestido com uma t-shirt com a fotografia da Presidente, disse à agência Lusa que os defensores do Governo vão para as ruas e convocar greves gerais.

"Se preciso for, nós vamos começar um processo de revolta popular no Brasil. Não vamos sair da rua, não vamos sair das universidades, não vamos sair do campo e nós vamos sim barrar este golpe", acrescentou, frisando que fala em ações pacíficas.

O manifestante mostrou-se "mais chateado" com o que viu no plenário do que já estava, porque, entre os deputados, ouviu "pessoas despreparadas, que não têm compromisso com o país, mas compromisso com o seu cargo e com o que podem ganhar".

"Fiquei triste com o fundamentalismo religioso que foi colocado. Ontem mesmo uma deputada disse que votava pelo marido e hoje a Polícia Federal prendeu o marido, que é autarca, por corrupção", lamentou, falando num "parlamento conservador" e repleto de empresários.

Érica Carvalho também defendeu que é preciso "parar" o Brasil, para que o Congresso, que classificou como "fascista e golpista" compreenda que não vão "arredar pé", depois de "tanto sangue" derramado para formar uma Constituição com direitos para os trabalhadores.

Para a estudante, que está acampada em Brasília há uma semana, existe uma "luta de classes" no mundo, em que "os Estados Unidos e os detentores do poder do capital estão perdendo" e em que "os países subdesenvolvidos estão virando países emergentes", o que "incomoda".

No acampamento onde alguns semblantes demonstravam tristeza, poucas centenas de pessoas faziam as malas, entravam em autocarros, esperavam na fila para almoçar e havia ainda quem aproveitasse para andar de skate.

Para Daniel Oliveira, o acampamento dos defensores do 'impeachment', hoje com pouco mais de 50 pessoas, era mais pequeno, porque "as pessoas que protestam contra a destituição são "pessoal que vem comprado" pelo Partido dos Trabalhadores, com dinheiro do Governo.

Entre os defensores do impeachment, impera o desejo de novas eleições, porque, se o pedido de afastamento de Dilma Rousseff passar no Senado, o vice-presidente, Michel Temer, assumirá temporariamente a Presidência, uma alternativa que também não agrada.

Daniel Oliveira advogou que é preciso "limpar o Congresso", que "está podre", com muita corrupção, mas considerou que qualquer pessoa é melhor para Presidente do que Dilma Rousseff.

Falando numa "roubalheira que está acontecendo no Brasil", Vítor Khoury prevê que Michel Temer também irá cair e lança um aviso aos políticos: "tomem cuidado, porque o Brasil acordou".

O comerciante, que veio de São Paulo de propósito para participar no protesto, criticou também a prevalência de uma "ideologia comunista", de uma "ideologia de género que tenta denegrir a imagem da família" e que "distorce tudo", e de uma crescente falta de respeito.

Dileta Correia, que há 29 dias que participa em várias ações do acampamento de resistência popular, descreveu o resultado alcançado na Câmara dos Deputados no domingo como ir a um "baile sem dançar" ou um "banho de água fria".

O processo "só agora começou", porque, mesmo que o afastamento de Dilma Rousseff seja aprovado no Senado, a alternativa, Michel Temer, é de rejeitar, considerando que se trata de "outro corrupto".

"Precisamos estar nas ruas, para que possamos ter novas eleições", comentou, dizendo ainda que "hoje o Brasil está sendo governando por um crime político organizado. Então a resistência precisa de lutar".

No acampamento, também há comida, bebida e muitas malas já preparadas para a partida depois de dias intensos de protestos.

Aparentemente longe da luta política, num clima descontraído, alguns jovens brincam com um cão ao lado de um homem que dorme serenamente sobre a relva.

Lusa

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