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Brasil vive processo de "eleição direta" fora das urnas, acusa Dilma Rousseff

A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, alertou hoje que o processo para a sua destituição é uma "tentativa de eleição direta" fora das urnas, e que a sua saída do cargo não vai trazer estabilidade política.

© Ueslei Marcelino / Reuters

"Na verdade, não é um processo de 'impeachment' [destituição], mas é uma tentativa de eleição direta, que, de outra forma, não teria acesso", afirmou, alertando que o poder deve ser alcançado por voto secreto numa democracia que custou tanto a conquistar.

Para Dilma Rousseff, "esse processo não vai trazer a estabilidade política ao país, porque rompe a base da democracia", nem sequer permitir retomar o crescimento económico.

Depois da aprovação, no domingo, do pedido do seu afastamento pelos deputados, o processo segue agora para o Senado e, se também ali for aprovado, o vice-presidente, Michel Temer, assumirá temporariamente a Presidência da República.

Frisando que tem capacidade de ter "tranquilidade e de resistir" neste momento, a chefe de Estado avisou, no entanto, que está a ser vítima de uma "grande injustiça", porque o processo de 'impeachment' tem "meias verdades" e uma "fraude jurídica e politica", que é a acusação de crimes de responsabilidade.

A Presidente voltou a explicar que o que está em causa no processo refere-se "a questões contáveis, fiscais, que não dizem respeito ao mau uso do dinheiro público", logo, não são crimes de responsabilidade.

Para Dilma Rousseff, o Brasil tem um "veio golpista adormecido", porque não houve um único Presidente, depois da redemocratização, que não tenha sido alvo de processos de 'impeachment' e outros governos também fizeram aquilo de que é acusada.

A possibilidade de impugnação do mandato de Dilma Rousseff surgiu na sequência da revelação das chamadas "pedaladas fiscais", atos ilegais resultantes da autorização de adiantamentos de verbas de bancos para os cofres do Governo para melhorar o resultado das contas públicas.

Por outro lado, advogou, "se a argumentação de crise económica fosse argumento para tirar Presidentes da República, não teria um único Presidente nos países desenvolvidos que sobrevivesse".

Para Dilma Rousseff, o 'impeachment' deve-se a uma "oposição derrotada bastante reativa" à sua vitória em 2014, por uma margem curta, que, desde então, iniciou um processo de desestabilização do seu mandato.

Em declarações à imprensa internacional no Palácio do Planalto, em Brasília, Dilma Rousseff confessou sentir-se "vítima", também porque quem a julga, a começar pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, investigado em crimes de corrupção", têm um passado que não abona para ser juiz, mas sim "para ser réu".

"Se eu governar, eu mantenho os programas sociais", prometeu, falando contra outros que "estão vendendo terreno na Lua", numa referência a Michel Temer, que também já prometeu mantê-los.

A Presidente realçou que essa não foi uma tarefa nada fácil, num ambiente de crise.

Na visão da Presidente, a situação económica no país piorou mais do que o previsto, por causa da crise política e também da investigação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção e que está "impactando as principais empresas de construção".

A chefe de Estado lamentou o clima de "raiva, ódio e perseguição" hoje no Brasil e também "o grau de preconceito contra a mulher", de que diz ser vítima, porque esperavam que ela fosse "frágil" e está sendo tratada com atitudes que algumas pessoas não teriam com um Presidente homem.

Em resposta aos jornalistas, a Presidente afirmou também ter a certeza de os Jogos Olímpicos deste ano no Rio de Janeiro "serão os melhores Jogos Olímpicos do mundo".

Lusa

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