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Polícia relaciona subornos de construtora com Lula da Silva

Um documento da Polícia Federal (PF) brasileira indica pagamentos realizados ao Instituto Lula e à LILS Palestras na contabilidade usada pela construtora Andrade Gutierrez para pagamento de subornos, divulgou hoje a imprensa brasileira.

Lula da Silva, ex-Presidente do Brasil.

Lula da Silva, ex-Presidente do Brasil.

© Adriano Machado / Reuters

De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, um laudo da PF feito com base na quebra do sigilo fiscal da empreiteira Andrade Gutierrez destaca o pagamento de 3,6 milhões de reais (879 mil de euros) ao Instituto Lula e à LILS Palestras, ligados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2011 e 2014.

São valores que "transitaram" por uma conta chamada "Overhead" e que fizeram o mesmo percurso do dinheiro que abasteceu empresas investigadas por lavagem de dinheiro de subornos alvo da Operação Lava Jato (que investiga corrupção, branqueamento de capitais e evasão fiscal, nomeadamente na Petrobras), como empresas ligadas aos operadores financeiros Adir Assad, Fernando "Baiano" Soares, Mário Goes e Júlio Gerin Camargo, todos presos.

O documento é de 25 de fevereiro e foi elaborado pelos peritos criminais federais Daniel Paiva Scarparo, Audrey Jones de Souza e Ivan Roberto Ferreira Pinto.

Anexado, nesta segunda-feira, ao inquérito aberto para investigar o envolvimento da Andrade Gutierrez no esquema de cartel e corrupção na Petrobras, o documento servirá para a Lava Jato cruzar dados documentais com as declarações dadas pelos executivos da construtora, no acordo de delação premiada (ato de prestar informações em troca da redução da pena).

Os pagamentos aos organismos ligados a Lula da Silva foram incluídos no item "pagamentos a ex-agentes públicos".

Os inquéritos que investigam suposto envolvimento de Lula da Silva no esquema de corrupção na Petrobras foram enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) que irá decidir quem deve investigar, a primeira instância, em Curitiba, ou a Procuradoria-Geral da República, em Brasília.

De acordo com o Instituto Lula, "os serviços foram palestras. Lula realizou 72 palestras para 45 empresas de diversos países e setores, inclusive para a Infoglobo, das Organizações Globo".

"Todas as palestras foram realizadas regularmente, com valores cobrados em condições iguais de todas as empresas, com nota fiscal e todos os impostos foram pagos dentro da lei. Elas não têm nenhuma relação com nenhuma ilegalidade ou vantagem indevida", sublinhou o comunicado do instituto.

"Configura ato ilegal, além de desvio funcional, a elaboração e a divulgação de laudos que tentam vincular o pagamento de valores à LILS e doações ao Instituto Lula a supostas condutas indevidas de terceiros", disseram, em nota, os advogados do ex-presidente brasileiro.

Ainda segundo os advogados, o parecer "apresentado não tem consistência técnica, mas apenas trabalha com ilações, o que é reprovável na atividade policial ou em qualquer ato de persecução do Estado, que não pode expor gratuitamente a honra e a imagem de seus jurisdicionados".

Lusa

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