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Protestos contra e a favor do impeachment de Dilma Roussef na ONU em Nova Iorque

Mais de uma centena de pessoas protestaram a favor ou contra a destituição da Presidente brasileira frente à sede da ONU, em Nova Iorque, onde Dilma Roussef participava na ratificação do Acordo de Paris contra as alterações climáticas.

© Shannon Stapleton / Reuters

Mary Altaffer

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Mark Lennihan

© Shannon Stapleton / Reuters

Cerca de 80 pessoas concentraram-se no cruzamento da Rua 47 com a 1.ª Avenida, em frente à ONU, onde estavam reunidos chefes de Estado de todo o mundo, para apoiar a presidente do Brasil. Do outro lado da rua, divididos por uma barricada e com forte presença policial, cerca de 30 pessoas apoiavam o 'impeachment' de Roussef.

O protesto de apoio à presidente foi convocado pelo "Defend Democracy in Brazil", um movimento criado há cerca de dois meses em Nova Iorque para denunciar a crise política brasileira.

"Somos academicos, artistas e trabalhadores. O nosso objetivo é mostrar ao mundo o que se está a passar no Brasil. É um golpe político disfarçado de manobra legal e legitima", explicou à Lusa uma das fundadores do grupo, Myriam Marques, enfermeira, e residente na cidade há 15 anos.

Desde a sua formação, o grupo já organizou três protestos em Union Square, em Manhattan. No início desta semana, projetaram mensagens de denúncia na fachada do edifício em Brooklyn onde decorria o concerto de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Outra manifestante presente, Rita Carvalho, relatou à Lusa que deixou de falar com a irmã, que vive em Brasilia, sobre política.

"Falámos durante algum tempo, com respeito, mas depois decidimos que era melhor não falar mais. É muito difícil para algumas pessoas de classe média no Brasil ter alguma perspetiva. Continuam lendo as mesmas revistas há anos e não procuram outras fontes de informação", disse.

Do outro lado da rua, estava Maria Herman, que trabalha em finanças e vive em Nova Iorque há cerca de um ano.

"Os crimes que foram cometidos são muito sérios e não podem passar impunes. A justificação que eles usam, de que os outros fizeram o mesmo ou pior, não pode ser levada a sério", declarou à Lusa.

Junto a ela, estava Plaucio Pucci, com uma t-shirt que dizia "Comunismo não" e que tinha viajado desde São Diego, na Califórnia, apenas para participar no protesto.

"Estou aqui para denunciar as mentiras que a Dilma está a dizer à comunidade internacional. A Dilma e o 'Lula' são cúmplices do maior escândalo de corrupção da nossa história", afirmou.

Dentro da ONU, Dilma Roussef aproveitou o seu discurso, antes de assinar o acordo, para assinalar a crise política no seu país.

"Não posso terminar as minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. O Brasil é um grande país, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador, com grande apreço pela liberdade. Saberá impedir quaisquer retrocessos. Sou grata a todos os lideres que expressaram solidariedade", disse.

Ainda hoje, Roussef tem agendada uma conferência de imprensa, na residência do embaixador brasileiro junto da ONU, para os media internacionais.

Com Lusa

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