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Vice-presidente brasileiro diz-se pronto para assumir Governo caso Dilma seja afastada

O vice-presidente do Brasil, Michel Temer, disse hoje que está preparado para assumir a Presidência da República se Dilma Rousseff for afastada do cargo em maio.

© Ueslei Marcelino / Reuters

Em entrevista exclusiva ao jornal O Globo, Michel Temer, admitiu, pela primeira vez, que está a discutir uma equipa governamental, caso a Presidente, Dilma Rousseff, seja afastada, no âmbito do processo de 'impeachment', que está a ser discutido pelo Senado.

"Me encontro numa situação muito difícil. Não posso, em respeito ao Senado, tratar da formação de um eventual governo, mas tenho que estar preparado para, conforme o rito, assumir o governo no dia seguinte, caso a decisão seja pelo afastamento temporário da senhora presidente da República", disse o 'número dois' do executivo, eleito pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Na entrevista, o político não se comprometeu como nomes de futuros governantes mas disse que estava impressionado com a conversa que teve com o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, apontado como um possível candidato ao cargo de ministro da Fazenda caso Temer assuma a Presidência.

Michel Temer também declarou que as consultas que teve nas últimas semanas com líderes políticos, economistas e outras personalidades constituem somente "sondagens", assegurando que não "assumiu compromissos com ninguém".

Temer é o substituto direto da Presidente Dilma Rousseff, que está acusada de cometer crime de responsabilidade porque teria realizado manobras fiscais para melhorar o resultado das contas públicas, aprovando despesas extras sem pedir autorização do Congresso.

No último dia 17, a denúncia conta a Presidente brasileira foi aprovada na Câmara dos Deputados (câmara baixa) e enviado para o Senado (câmara alta).

Hoje, 21 integrantes do Senado iniciaram os trabalhos de uma comissão especial que vai analisar a denúncia que pode custar-lhe o mandato.

Após ouvir as partes e fazer um relatório, esta comissão realiza uma votação que pode afastar Dilma Rousseff do cargo por 180 dias até o julgamento final do processo.

Neste caso, o vice-presidente assumiria interinamente a Presidência da República. Se Dilma Rousseff for condenada, Temer será Presidente do Brasil até janeiro de 2019.

Lusa

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