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Dilma inaugura central hidroelétrica envolta em suspeitas de corrupção

A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, manifestou-se hoje orgulhosa pelos "ganhos sociais e ambientais" que vão ser gerados pela central hidroelétrica de Belo Monte, inaugurada hoje, mas cujo empreendimento está envolto em suspeitas de corrupção.

© Ueslei Marcelino / Reuters

Mostrando-se orgulhosa pelo "ganhos sociais e ambientais" do empreendimento, a chefe de Estado brasileira destacou que se trata de um projeto de desenvolvimento para o país e, principalmente, para a região norte e que permite atrair empresas, porque não vai faltar energia.

"Belo Monte é grandiosa e mostra a capacidade que temos de construir uma obra desse porte", sublinhou.

A central hidroelétrica de Belo Monte, localizada no sudeste do Pará, é considerada a terceira maior do mundo.

Com capacidade instalada de 11.233,1 megawatts, a maior central hidroelétrica inteiramente brasileira terá carga suficiente para abastecer 60 milhões de pessoas em 17 Estados, o que representa cerca de 40% do consumo residencial do país.

Segundo informações da empresa responsável, a Norte Energia S.A, as obras civis do empreendimento estão praticamente concluídas e a previsão é de que a cada dois meses, em média, seja ativada uma nova turbina até o pleno funcionamento da hidroelétrica, em 2019.

Os primeiros estudos começaram na década de 1970 e, desde então, o projeto original sofreu várias modificações para que fossem reduzidos os impactos ambientais da central, de acordo com uma nota da Presidência.

A obra foi usada pelo Partido dos Trabalhadores (PT, no poder), como uma das principais propagandas para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e dotar o país de infraestruturas.

O terceiro maior banco de desenvolvimento do mundo, o BNDES, pagou quase 80% do valor total investido para a construção da central, 28,9 mil milhões de reais (7,2 mil milhões de euros).

Segundo informações divulgadas na edição do passado dia 7 de abril pelo jornal Folha de São Paulo, executivos da Andrade Gutierrez revelaram que esta construtora brasileira pagou subornos, sob a forma de doações legais para campanhas eleitorais de Dilma Rousseff.

Milhões de euros entregues às campanhas estariam vinculados à participação da construtora em contratos de obras públicas, entre as quais a central de Belo Monte.

Esta poderá ser uma das últimas inaugurações feitas pela Presidente Dilma Rousseff, que enfrenta um pedido de destituição do cargo no Senado.

Se o pedido for aprovado na próxima semana na câmara alta do Congresso Nacional, a Presidência será temporariamente assumida pelo vice-presidente, Michel Temer.

No local, a Presidente comentou também a decisão provisória do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do seu mandato como deputado federal, afirmando: "A única coisa que eu lamento, mas falo, antes tarde do que nunca, é que infelizmente ele conseguiu presidir, na cara de pau, o lamentável processo de destituição na Câmara dos Deputados".

Lusa

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