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Maioria dos senadores anuncia voto a favor da destituição de Dilma

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Um total de 51 senadores brasileiros anunciaram já que vão votar a favor do 'impeachment' (destituição) da Presidente Dilma Rousseff, número suficiente para a afastar do cargo. Depois de mais de 17 horas de debate, o presidente do Senado encerrou a fase de alegações finais no processo de votação de admissibilidade do impeachment. Depois das intervenções, tem lugar a votação final, que não terá direito a declarações.

© Ueslei Marcelino / Reuters

Última atualização às 10:33

Os senadores poderão votar "sim", "não" ou abster-se e, após a conclusão da votação, será divulgada a decisão de cada um.

A sessão, que já dura mais de 17 horas, começou às 10:00 (14:00 em Lisboa) de quarta-feira e, apesar do desejo do presidente do Senado, Renan Calheiros, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), para acelerar o debate, a sessão acabou por prolongar-se, visto que 71 senadores se inscreveram para falar, tendo cada um direito a 15 minutos.

Os trabalhos foram marcados por vários pedidos de silêncio no plenário, desde logo, na intervenção inicial do presidente da câmara, quando Renan Calheiros foi obrigado a pedir a um jornalista para falar mais baixo, por a voz do repórter estar a sobrepor-se à sua.

O presidente do Senado tinha indicado aos senadores que evitassem "votar por passionalidade", depois das críticas feitas aos deputados da câmara baixa, que justificaram as suas posições falando em Deus e na família, enviaram mensagens para casa e até exerceram o seu voto em nome de um torturador.

Porém, o senador Magno Malta, do Partido da República (PR), disse que vai votar em nome da neta que vai nascer este mês e falou ainda no aborto e na redução da maioridade penal para justificar o seu voto.

"É preciso evocar o conjunto da obra. Estamos diante de um corpo febril e assaltado de taxas altíssimas de diabetes. Perna cheia de gangrena, pronta para ser amputada. Se amputarmos a perna, salvaremos o corpo", descreveu.

Nos seus discursos, os senadores também apresentaram números da economia e do desemprego, falaram da petrolífera estatal Petrobras, envolvida no maior caso de corrupção da história do país, e deixaram recados para o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Do lado dos apoiantes do Governo, houve palavras em defesa da democracia e da própria Presidente.

O senador Roberto Requião, do PMDB, afirmou que votará contra a "besteira, a monumental asneira do impeachment da Presidente da República neste momento".

Para além de jornalistas, deputados e funcionários públicos, o Senado também recebeu uma visita especial, a do padre Lázaro Brito Couto, que foi distribuir presentes aos senadores e testemunhar o destino da Presidente, defendendo o seu afastamento.

Com Lusa

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