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Dilma diz que novo governo é conservador e tem problema de representatividade

Dilma Rousseff, Presidente brasileira com mandato suspenso, classificou hoje em conferência de imprensa em Brasília o governo do Presidente interino, Michel Temer, como "conservador" e "liberal", considerando que tem um problema de representatividade.

© Adriano Machado / Reuters

"Lamento que, depois de muito tempo, não tenha mulheres e negros no ministério. Eu acho que a questão de género é uma questão democrática", disse, considerando que o novo governo "tem um problema de representatividade" e que o país tem testemunhado desigualdades.

Para a Presidente com mandato suspenso, o novo Governo "vai ser liberal na economia e extremamente conservador", e não parece que dê tanta atenção a áreas como a Cultura.

Segundo Dilma Rousseff, durante o seu mandato "muitas pessoas nas elites estavam descontentes" com os programas sociais que lançou, mas frisou: "Enfrentamos a crise preservando os programas sociais".

Contra o governo de Michel Temer, que classifica como "ilegítimo", que, como tal, "precisa sempre de mecanismos ilegítimos" para se manter, Dilma Rousseff prometeu lutar e recuperar o apoio do Congresso, defendendo que o Brasil necessita de uma profunda reforma política, que deve ser discutida nos próximos meses e anos.

Michel Temer é, desde quinta-feira, Presidente interino, depois de Dilma Rousseff ter sido afastada temporariamente pelo Senado (câmara alta) por um prazo máximo 180 dias, por suspeitas de irregularidades orçamentais, com despesas não autorizadas.

Durante este período, o Senado irá julgar Dilma Rousseff, mas a chefe de Estado só será afastada definitivamente se for condenada por uma maioria de dois terços dos eleitos naquele órgão.

Enquanto estiver afastada do poder, Dilma Rousseff vai focar-se na sua defesa, "jurídica e política".

Esta defesa será feita "para todo o povo brasileiro", sublinhou, garantindo que sempre que for chamada vai "comparecer de forma transparente e aberta para responder".

Na conferência de imprensa, com correspondentes estrangeiros, Dilma Rousseff frisou que apostou nas políticas sociais e no crescimento económico, mas que sofreu "toda a sorte de sabotagem na tentativa de governar".

Em tempo de crise, não foi possível "aprovar medidas que precisavam de ser aprovadas pelo Congresso", lamentou.

A chefe de Estado brasileira temporariamente afastada criticou ainda "vazamentos seletivos" numa referência a divulgação de escutas telefónicas.

"Tudo o que se acusa a nós é aceite", mas quando se "pede investigação à oposição é recusado", criticou, vincando: "Tentaram investigar-me sistematicamente".

Lusa

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