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Ministro brasileiro da Transparência demite-se após divulgação de escutas

O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle do Brasil, Fabiano Silveira, que aparece a criticar a Operação Lava Jato em escutas telefónicas, pediu na segunda-feira a demissão, confirmou à agência Lusa fonte da Presidência brasileira.

(Reuters / Arquivo)

(Reuters / Arquivo)

© Nacho Doce / Reuters

Gravações divulgadas pela imprensa no domingo mostram o ministro a criticar o trabalho da Procuradoria-Geral da República na Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção que envolve dezenas de políticos e várias empresas, incluindo a petrolífera estatal Petrobras.

Fabiano Silveira, na altura conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, dá conselhos aos investigados numa conversa com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-presidente da Transpetro (empresa subsidiária da Petrobras), Sérgio Machado.

Numa carta citada pela imprensa brasileira, o ministro demissionário começou por dizer que pela sua "trajetória de integridade no serviço público, não imaginava ser alvo de especulações tão insólitas".

Fabiano Silveira escreveu que não há nas suas "palavras nenhuma oposição aos trabalhos do Ministério Público ou do judiciário".

"Foram comentários genéricos e simples opinião, decerto amplificados pelo clima de exasperação política que todos testemunhamos. Não sabia da presença de Sérgio Machado. Não fui chamado para uma reunião. O contexto era de informalidade baseado nas declarações de quem se dizia a todo instante inocente", acrescentou.

O governante demissionário reiterou que "jamais" intercedeu junto de órgãos públicos em favor de terceiros e que considera "um despropósito sugerir que o Ministério Público possa sofrer algum tipo de influência externa".

"A situação em que me vi involuntariamente envolvido - pois nada sei da vida de Sérgio Machado, nem com ele tenho ou tive qualquer relação - poderia trazer reflexos para o cargo que passei a exercer, de perfil notadamente técnico", justificou, vincando: "não obstante o fato de que nada atinja a minha conduta".

Lusa