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Mais de 20 mortes no Rio de Janeiro em operações policiais em junho

A Amnistia Internacional (AI) denunciou hoje que pelo menos 23 pessoas morreram nos primeiros 24 dias de junho durante operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro, pouco mais de um mês antes dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

(Arquivo)

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REUTERS

"Nos últimos dez anos, o Rio de Janeiro sediou três eventos desportivos importantes e cada vez que isso aconteceu, observou-se um aumento de mortes cometidas por agentes da polícia", declarou Renata Neder, conselheira de direitos humanos da AI.

Renata Neder fez a denúncia durante uma conferência realizada em Genebra pelo Conselho de Direitos Humanos (CDH), da ONU.

Segundo a AI, em 2007 quando a cidade se preparava para receber os Jogos Panamericanos o número de mortes durante operações policiais aumentou 20% em relação ao ano anterior, alcançando o recorde de 1.330 homicídios.

Nos anos seguintes, o número de mortes caiu progressivamente, mas voltou a aumentar em 2014, coincidindo novamente com um evento esportivo de grande magnitude, neste caso, o Mundial de Futebol.

"Então (em 2014) as mortes voltaram a aumentar em 40% (até 580 homicídios) na região do Rio de Janeiro. No estado de São Paulo, onde jogos da Copa do Mundo também foram disputadas, o número de pessoas mortas pela polícia aumentou 80%", disse Renata Neder, acrescentando que a mesma tendência se verifica agora, com o número de mortes sob custódia da polícia a aumentar mais uma vez.

Em declarações à agência Efe, Neder disse que, embora a AI tivesse constatado 23 assassinatos através de fontes próprias (tais como a imprensa ou contatos em favelas), a organização receia que as autoridades publiquem um número muito maior.

"Em abril deste ano, pelas nossas fontes foram registados 11 assassínios, enquanto o número oficial era de 35. As autoridades já deveriam ter publicado os dados de maio e teria que publicar os de junho em breve também, mas eles estão a atrasar a divulgação e acreditamos que isto ocorre porque houve um aumento", concluiu a especialista em direitos humanos.

Lusa

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