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Milhares de manifestantes mediram a força da destituição de Dilma nas ruas

Milhares de manifestantes pró e contra a destituição da Presidente do Brasil com mandato suspenso, Dilma Rousseff, voltaram no domingo às ruas num país pré-olímpico, onde as palavras de ordem foram além da destituição e até do português.

Silvia Izquierdo

Aproveitando a visibilidade dos Jogos Olímpicos, que começam na sexta-feira no Rio de Janeiro, os brasileiros saíram à rua com faixas onde se podia ler em inglês "Fora Dilma", "Fora comunismo" e "Brasileiros não toleram a corrupção".

Porém, as manifestações foram menos expressivas do que as registadas antes da aprovação do pedido de afastamento de Dilma Rousseff no Congresso, que levou à suspensão temporária da Presidente em maio e à sua substituição pelo Presidente interino, Michel Temer.

Segundo dados do portal G1, ao longo do dia houve protestos contra Dilma Rousseff em 66 cidades e manifestações a favor da Presidente afastada e contra Michel Temer em 18.

Apesar de não existirem números relativos aos protestos em alguns locais, as manifestações contra Dilma Rousseff reuniu, pelo menos, 43 mil pessoas no Brasil, segundo a estimativa da Polícia Militar divulgada pelo G1 ao início da noite, enquanto a organização falou em 151 mil.

De acordo com as estimativas da Polícia Militar, o protesto contra Michel Temer juntou, pelo menos, três mil pessoas, um número que subiu para 85 mil quando contabilizado pela organização, embora, novamente, tenham faltado estimativas relativas a alguns locais.

A previsão de baixa adesão foi precisamente o que fez o Movimento Brasil Livre desistir de participar no protesto contra a Presidente, explicando, numa nota, que prefere focar esforços em atos que ocorrerão mais próximos da votação final da destituição de Dilma Rousseff no Senado, prevista para 29 de agosto, após os Jogos Olímpicos.

Rogério Chequer, líder do movimento Vem Pra Rua, um dos maiores grupos a favor do afastamento de Dilma Rousseff, citado pelo Estado de São Paulo, justificou a baixa participação em São Paulo dizendo que "as pessoas estão a tomar como certa a aprovação do 'impeachment' [destituição] no Senado".

© Stringer . / Reuters

Assim, entre os manifestantes anti-Dilma multiplicaram-se palavras de ordem contra o comunismo, contra a corrupção e em defesa da Operação Lava Jato, que investiga o maior esquema de corrupção na história do Brasil e que envolve vários políticos, incluindo o ex-Presidente Lula da Silva, aliado de Dilma Rousseff.

Houve também várias vozes a defender uma intervenção militar no país, dado o descontentamento com a classe política em geral e a situação do Brasil, que enfrenta uma longa recessão e problemas na saúde, educação e segurança.

Já os manifestantes contra o afastamento da Presidente voltaram a falar em golpe ao descrever o processo de destituição e gritaram "Fora, Temer".

Nos dois protestos, divididos também por cores - verde e amarelo entre os opositores a Dilma Rousseff e vermelho entre os seus defensores - houve ainda espaço para outros argumentos, como por exemplo contra os impostos.

Espera-se que a onda de protestos ganhe força ao longo de agosto, não só com a aproximação da votação final do 'impeachment' pelos senadores, mas também para aproveitar a visibilidade internacional dos Jogos Olímpicos.

Lusa

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