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Número de funcionários expulsos do Governo brasileiro aumenta

O número de funcionários do Governo Federal do Brasil expulsos por atividades ilícitas tem vindo a aumentar desde 2003, somando 6.042 afastamentos em perto de 14 anos, a maioria por atos de corrupção.

Números do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que "de 2003 a setembro de 2016, já foram aplicadas 5.043 demissões, 467 cassações de aposentadorias [reforma], e 532 destituições de ocupantes de cargos em comissão [direção, chefia e assessoria, de livre nomeação e exoneração]".

Os dados também revelam um aumento ao longo dos anos: enquanto em 2003 foram expulsos 268 funcionários governamentais, em 2015 esse número subiu para 541.

De janeiro a setembro deste ano, contam-se 383 expulsões, sendo que o mês de setembro registou o maior número de punições, tanto em comparação com o mesmo período dos últimos cinco anos, como com outros meses de 2016.

Os valores não incluem funcionários públicos estaduais ou municipais, nem empregados de empresas estatais, como a petrolífera Petrobras ou os Correios.

Segundo uma nota da tutela, "o principal fundamento das expulsões foi a comprovação da prática de atos relacionados à corrupção, com 4.013 das penalidades aplicadas ou 65,4% do total".

"O abandono de cargo, a inassiduidade ou a acumulação ilícita de cargos são motivos que vêm em seguida, com 1.395 dos casos. Também figuram entre as razões que mais afastaram servidores proceder de forma desidiosa [preguiçosa] e participação em gerência ou administração de sociedade privada", lê-se no comunicado.

Os locais onde se registaram mais afastamentos por atividades contrárias à lei foram o Rio de Janeiro (1.052), o Distrito Federal, onde fica a capital do país, Brasília, (746) e São Paulo (640).

"Já as pastas com maior quantidade de servidores expulsos foram o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, o Ministério da Justiça e Cidadania e o Ministério da Educação", de acordo com a tutela.

A corrupção - que é encarada pelos brasileiros como o maior problema do país - tem estado na mira das autoridades, sobretudo no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga o maior esquema de corrupção da história do Brasil, envolvendo dezenas de políticos e várias empresas, entre elas a Petrobras.

De acordo com dados oficiais da Lava Jato, até ao momento, houve 106 condenações, contabilizando 1148 anos, 11 meses e 11 dias de pena.

Uma sondagem da consultora Ipsos divulgada em junho mostrou que o número de brasileiros entrevistados que declarou ter "dado um jeitinho" para obter tratamento preferencial também aumentou, passando de 49% para 62% entre outubro de 2014 e maio deste ano.

Lusa

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