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Polícia brasileira prende ex-deputado que deu início à destituição de Dilma Rousseff

© Adriano Machado / Reuters

A polícia Federal do Brasil prendeu esta quarta-feira o ex-deputado Federal Eduardo Cunha, político que ficou conhecido por ter dado início ao processo de destituição da ex-Presidente Dilma Rousseff.

A prisão foi determinada pelo juiz Sérgio Moro, que analisa os processos criminais em primeira instância da operação Lava Jato.

Eduardo Cunha é investigado por ter supostamente recebido 5 milhões de reais (1,4 milhões de euros) em subornos pagos em contas secretas na Suíça, que foram abastecidas com dinheiro desviado de contratos de exploração de petróleo da petrolífera estatal Petrobras em África.

A polícia também cumpre um mandado de busca e apreensão numa casa de Eduardo Cunha, na cidade do Rio de Janeiro. Todavia, a detenção foi feita em Brasília.

Segundo um comunicado divulgado pelo Ministério Público Federal (MPF) "a liberdade do ex-parlamentar representava risco à instrução do processo, à ordem pública, como também a possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior, além da dupla nacionalidade (italiana e brasileira)".

O MPF também informou na nota que Eduardo Cunha atrapalhava as investigações da operação Lava Jato, utilizando-se inclusive de terceiras pessoas.

A prisão foi determinada no âmbito de um processo em que Eduardo Cunha é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em factos relacionados com a aquisição de um campo exploratório de petróleo em Benim, na África Ocidental, pela Petrobras, em 2011.

O MPF acredita que Eduardo Cunha recebeu pelo menos 1,5 milhão de dólares (1,3 milões de euros) a título de suborno, por intermédio do operador financeiro João Augusto Rezende Henriques, que depositou o valor numa conta secreta do ex-deputado federal na Suíça.

Na mesma ação penal foram denunciados Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da Petrobras, Idalécio Oliveira, empresário português que era proprietário do campo, e Cláudia Cordeiro Cruz, mulher de Cunha, que é acusada de utilizar uma conta em seu nome para ocultar a existência dos valores.

Ex-presidente da Câmara dos Deputados (câmara baixa), Eduardo Cunha perdeu o mandato de deputado federal no dia 12 de setembro, quando foi considerado culpado pelos outros parlamentares da acusação de ter mentido em uma comissão parlamentar.

Político com extensa carreira e que já foi considerado um dos homens mais poderosos do Brasil, Eduardo Cunha foi o principal articulador do processo de destituição que culminou na saída da ex-Presidente Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores (PT) do poder depois de governar o país por 13 anos.

Lusa

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