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Operação Lava Jato

Ministro brasileiro nega qualquer envolvimento em casos de corrupção

Henry Romero

O ministro das Cidades brasileiro, Bruno Araújo, negou esta quarta-feira em Lisboa qualquer relação com os casos de corrupção que envolvem a construtora Odebrecht no Brasil, que são investigados pela operação Lava Jato.

"A minha peça de defesa são os depoimentos (dos executivos da Odebrecht à jsutiça), em que os colaboradores afirmam que não tem nenhuma relação comigo, a não ser institucional", disse à Lusa Bruno Araújo.

O ministro brasileiro fez estas declarações à margem do V Seminário Luso-Brasileiro de Direito, que se realiza em Lisboa até quinta-feira.

"Primeiro, as pessoas dizem que isso tudo é muito normal, é das instituições, mas é tudo mentira. Quem tem vergonha da cara, constrange-se, é um grande constrangimento", referiu o ministro. "Sobretudo porque vemos um grande descompasso entre o pedido de investigação e aquele de parar, três, quatro minutos, para assistir os depoimentos dos executivos", declarou Araújo.

Uma das principais empresas envolvidas no escândalo de corrupção no Brasil é a construtora Odebrecht e o antigo presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, condenado a 19 anos de prisão, e os seus executivos forneceram informações as autoridades, nomeadamente sobre os subornos/corrupção que a empresa realizava entre políticos.

Na semana passada, com base nos depoimentos dos executivos da Odebrecht, o juiz do STF Edson Fachin mandou abrir inquéritos para investigar 98 pessoas, no âmbito da Operação Lava Jato. Entre elas, estão 39 deputados federais, 24 senadores, oito ministros, um ministro do Tribunal de Contas da União e três governadores.

Os acusados, entre os quais o ministro Bruno Araújo e o senador Aécio Neves, serão investigados sobretudo por corrupção, branqueamento de capitais e falsidade ideológica (fraude) eleitoral. "Farei a minha defesa e espero que tudo se esclareça o mais rápido possível", afirmou Bruno Araújo.

O ministro disse aos jornalistas brasileiros, na semana passada, que solicitou "doações para diversas empresas, inclusive a Odebrecht". "O sistema democrático vigente estabelecia a participação de instituições privadas por meio de doações. Mantive uma relação institucional com todas essas empresas. Em todo o meu mandato, sempre atuei em prol de interesses coletivos. Atuei de acordo com a minha consciência", acrescentou.

Segundo os depoimentos dos executivos da Odebrecht João Antônio Pacífico Ferreira, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, Cláudio Melo Filho e Luiz Eduardo da Rocha Soares, Araújo recebeu de 600 mil reais (179 mil euros) não contabilizados da construtora entre 2010 e 2012 a pretexto de doação eleitoral, quando era deputado federal.

De acordo com o inquérito, Araújo agiu em defesa dos interesses da empresa no Congresso Nacional e é acusado de corrupção passiva, branqueamento de capitais e corrupção ativa.

Lusa

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