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Surtos de legionella acabam por ser "treinos na vida real" 

Os doentes com legionella na CUF eram menos vulneráveis que os do São Francisco Xavier, o que explicará a ausência de mortes na unidade privada, segundo a diretora-geral da Saúde, para quem os surtos são "treinos na vida real". Em entrevista à agência Lusa, Graça Freitas sublinha ainda que a atuação do dispositivo de saúde pública foi exatamente a mesma nas duas situações dos hospitais de Lisboa, não se distinguindo as medidas e decisões tomadas na unidade do Serviço Nacional de Saúde e na unidade privada.

"Tratámos as duas situações exatamente com o mesmo protocolo e acionámos as mesmas medidas. O dispositivo correu bem, sendo que a dimensão [do surto] foi diferente, em São Francisco Xavier houve óbitos a lamentar, mas em termos de situação da saúde pública as coisas correram bem porque se interrompeu a cadeia de transmissão", afirmou.

Graça Freitas indicou ainda que a ausência de mortes no surto de legionella na unidade da CUF pode estar relacionada com a menor idade destes doentes e com uma mais favorável situação clínica de base, comparativamente aos do São Francisco Xavier.

"De um modo geral, os doentes do Hospital São Francisco Xavier, pelas características dos hospitais, eram pessoas mais idosas e com mais patologias de base. Tinham muitas patologias, anteriores à pneumonia por 'legionella' e eram de um grupo etário mais avançado", justificou.O surto da CUF Descobertas, que infetou, até ao momento, 15 pessoas, ainda não está dado como terminado, porque é necessário respeitar o período máximo de incubação da doença a partir do momento em que foram tomadas as medidas na canalização da água para travar a infeção.

A diretora-geral da Saúde indicou ainda que está já em curso o programa de vigilância da 'legionella' nos hospitais, que tinha sido determinado pelo ministro da Saúde, mas vincou que se trata de uma "vigilância suplementar" que complementa o que já é feito pelas unidades de saúde e pelas autoridades.Graça Freitas explicou que foi feito um levantamento nos vários hospitais pelas autoridades locais e que foi estabelecido um calendário de colheitas e análises à água.

Previamente foi feito um trabalho sobre as unidades consideradas prioritárias, o que não tem a ver com a dimensão do hospital, mas antes com a avaliação de risco, tendo em conta fatores como a idade do edifício da instituição, o tipo de canalização ou a existência de torres de arrefecimento.

Para a diretora-geral da Saúde, os vários surtos de 'legionella' que têm ocorrido no país, desde o de Vila Franca de Xira em 2014, são uma espécie de lições, em que se vai aprendendo a gerir melhor as situações.

"Os surtos são treinos da vida real, infelizmente, mas aprende-se muito. Cada surto que passa acaba por ser uma grande aprendizagem. No final de um surto fazemos uma avaliação para ver o que correu bem, menos bem ou mal e aprender lições. A grande aprendizagem que estes surtos nos dá é a de fazer melhor da próxima vez.

Os surtos são treinos, exercícios na vida real", argumentou.Graça Freitas considera ainda que há uma maior capacidade e atenção clínica para identificar os casos de infeção por 'legionella', admitindo até que tenham, no passado, chegado a haver surtos que não foram identificados.

"Há novidades em termos de diagnóstico de há uns anos para cá. Com um teste muito simples na urina dos doentes consegue detetar-se facilmente um caso", indicou, considerando que os médicos estão também cada vez mais atentos a esta possibilidade.

Graça Freitas foi nomeada diretora-geral da Saúde no início de janeiro, mas estava já desde outubro em regime de substituição do anterior diretor, Francisco George.

A especialista, que lida com emergências de saúde pública desde que em 1996 entrou para a DGS, considera que substituir Francisco George "não foi difícil", mas reconhece que é trabalhoso, lembrando que apanhou com "o embate dos surtos" de 'legionella', dois no período de dois meses.

Lusa

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