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Suspeitas de manipulação de votos em Macau impossíveis de apreciar

As suspeitas de manipulação dos votos de Macau nas eleições legislativas de 04 deste mês são impossíveis de apreciar porque os escrutinadores não separaram os respetivos boletins, disse hoje o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

João Almeida, que falava à agência Lusa e à RDP Internacional após terminar, cerca das 00:00 de hoje, a assembleia geral de apuramento dos votos do estrangeiro - círculos da Europa e Fora da Europa -, salientou que nem quem levantou as suspeitas nem a mesa separou os boletins de voto em causa, cujo número não especificou.

"Houve uma situação em que, pela letra, pela tinta, pela forma de símbolos, que só nos chegou por falarem nisso, porque por escrito não apareceu nada, havia a suspeita de que tivesse havido manipulação dos boletins de voto, ou pelo menos que alguém tenha votado por uma série de pessoas", explicou.

"O que é facto é que nos chegou um protesto mas, na mesa, quem protestou não garantiu, e a mesa não o fez, a separação desses boletins de voto. Mesmo que houvesse alguma razão para os apreciar era impossível destrinçá-los de todos os votos considerados válidos. O reclamante disse que esta situação «faz supor que», mas não há nada em nenhuma lei que nos permita declarar nulos alguns votos por supor alguma coisa", acrescentou.

Sobre a impugnação dos resultados eleitorais do Círculo Fora da Europa, que o Nós, Cidadãos (NC) garantiu que irá apresentar ao longo do dia de hoje no Tribunal Constitucional (TC), João Almeida considerou que o partido está "no pleno direito" de o fazer.

"Ouvi dizer. Está no seu pleno direito. E se houver factos a que o TC atenda, logo se verá a solução. A nós não foi apresentada matéria em que se percebesse que havia algo que se pudesse fazer. De qualquer forma, os votos em causa não influenciam a distribuição de mandatos", acrescentou.

Mendo Henriques, dirigente do Nós, Cidadãos, ouvido depois de João Almeida, garantiu que o partido mantém a pretensão de apresentar a impugnação dos resultados no Círculo Fora da Europa, alegando que, segundo os dados de que dispõe, ficou a cerca de 400 votos de eleger um deputado.

Na quarta-feira, segundo os resultados finais oficiais provisórios, a coligação Portugal à Frente conquistou três dos quatro deputados em disputa no estrangeiro (dois pelo Círculo da Europa e um pelo Fora da Europa), enquanto o Partido Socialista (PS) ficou com o restante.

PSD e CDS-PP juntos conseguiram 38,57% dos votos e 107 mandatos nas eleições legislativas de 04 de outubro, depois de na quarta-feira terem sido apurados os resultados nos consulados, de acordo com dados da Secretaria-Geral do Ministério de Administração Interna - Administração Eleitoral.

O PS teve 32,31% dos votos (86 mandatos), o Bloco de Esquerda 10,19% (19 mandatos), o PCP-PEV 8,25% (17 mandatos) e o PAN 1,39% (um mandato).

Lusa

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