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BE leva emprego para o debate no Parlamento, Costa promete combater precariedade

A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, perguntou hoje ao primeiro-ministro o que podem os cidadãos, em concreto os jovens, esperar do Governo em matéria de emprego, com António Costa a prometer o combate à precariedade.

Lusa

Lusa

MIGUEL A. LOPES

"O que pode esperar do novo governo quem está agora a terminar os seus estudos e quer trabalhar?", interrogou Catarina Martins, no parlamento.

Na resposta, António Costa advogou que a "dignidade do trabalho é uma questão também de cidadania", garantindo um efetivo combate à precariedade e aos contratos a prazo - que devem funcionar como primeiro passo para contratos efetivos, o que, diz, não sucede -, nomeadamente com o reforço da Autoridade para as Condições de Trabalho.

O primeiro-ministro falava na discussão do programa do XXI Governo Constitucional, que começou esta tarde a ser abordado no parlamento, num debate que se estende até quinta-feira por mais de nove horas, e que terminará com o chumbo da moção de rejeição da direita.

"Uma das prioridades estabelecidas foi o do melhor emprego, uma condição essencial mas também para um melhor crescimento da economia", reforçou ainda o também secretário-geral do PS, lembrando que nos últimos tempos falou através do Skype, ferramenta da Internet, com "várias dezenas de jovens que emigraram nos últimos anos" e lhe apresentaram a sua visão do mercado laboral em Portugal.

E acrescentou: "O maior défice estrutural que o país tem é o défice de qualificações. E esse défice foi pela primeira vez diminuído com esta nova geração. O país pela primeira vez começou-se a aproximar dos níveis médios de qualificação da União Europeia", embora com muitos quadros a abandonar depois o país para emigrarem na procura de emprego.

Para a bloquista Catarina Martins, debater o programa do Governo é também analisar a diferença entre este texto e o outro, recente, do anterior executivo PSD/CDS-PP que foi rejeitado no parlamento.

Descongelamento de pensões, reposição de salários, o desbloquear da contratação coletiva ou o aumento do salário mínimo são diferenças que o programa do PS apresenta, e "é normal que a direita apresente uma moção de rejeição" ao documento porque tal programa "ofende" PSD e CDS-PP, analisa Catarina Martins.

"Apresentem pois a moção de rejeição, nós cá estaremos para a chumbar", sustentou, perante aplausos das bancadas à esquerda.

E prosseguiu: "A direita foge do debate sobre a realidade porque teria muitas explicações para dar".

A discussão do Programa do XXI Governo Constitucional decorre 59 dias após as eleições legislativas de 4 de outubro, após o executivo socialista liderado por António Costa ter tomado posse na passada quinta-feira.

Lusa

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