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Maria de Belém pede que se esvazie clima de crispação

A candidata presidencial Maria de Belém considerou hoje que estão criadas as condições para haver um "Governo estável" e pediu para que se esvazie um clima de crispação crescente, escusando-se a comentar a estratégia de cada partido no Parlamento.

Lusa/ Arquivo

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TIAGO PETINGA/ LUSA

À margem do ciclo de Encontros com a Comunidade Lusófona, na Associação Cabo Verdiana, em Lisboa, Maria de Belém foi questionada pela agência Lusa sobre o programa de Governo, que hoje e quinta-feira está a ser discutido na Assembleia de República, considerando que "estão criadas as condições, com o apoio parlamentar alargado, para que tenhamos um Governo estável".

"Precisamos de esvaziar um clima de crispação que se tem verificado em crescimento ao longo dos tempos. (...) Aquilo que eu desejo é que realmente se tenha ultrapassado esta fase e se entre noutra fase porque Portugal precisa de estabilidade precisamente também porque tem que apostar no seu desenvolvimento", disse.

Sobre a moção de rejeição apresentada pela coligação de direita e o desafio feito hoje pelo PSD para que António Costa avance com uma moção de confiança, a candidata presidencial escusou-se a comentar "aquilo que é a atividade política dos partidos".

"Aquilo que eu posso dizer, no respeito pelo papel e pela missão de cada uma das instituições e pela separação de poderes, é que a Assembleia da República está no seu quadro normal de funcionamento, em que cada um dos partidos políticos define a sua estratégia e a executa", referiu.

Maria de Belém afirmou ainda que a coligação PSD/CDS "entendeu aprovar uma determinada estratégia para este período de debate do programa de Governo e agora os partidos que sustentam o programa de Governo também terão a sua própria estratégia", fazendo isto parte do que é "normal no quadro parlamentar".

Interrogada sobre uma eventual urgência na entrega do Orçamento do Estado para 2016, a ex-presidente do PS observou apenas que "está tudo articulado com a União Europeia", de acordo com as notícias das quais teve conhecimento hoje de manhã.

"Não estou preocupada uma vez que, como sempre disse, essa é uma questão que o Governo articula, está no âmbito das suas competências com os serviços competentes da comissão e do conselho [europeus]", rematou.

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, sugeriu hoje ao primeiro-ministro que apresentasse uma moção de confiança para demonstrar a estabilidade da sua solução governativa, mas António Costa respondeu que o Governo do PS já se apresenta confiante.

Concretamente sobre o ciclo de Encontros com a Comunidade Lusófona, Maria de Belém considerou que "Portugal pode sempre fazer mais" nestas relações com a Lusofonia.

"É muito importante num mundo multipolar que nós reforcemos este espaço cultural, de língua partilhada, de relações culturais, de relações económicas", defendeu.

Na opinião da candidata a Belém, para além do valor económico quantificável da língua, "há uma dimensão imaterial que é absolutamente fantástica, extraordinária e que pode realmente reforçar até a construção de posições comuns no domínio da política internacional, das opções estratégicas, até em relação ao controlo de determinados dossiês".

"São articulações das mais diversas naturezas e, sobretudo, uma inter-relação baseada na confiança que uma cultura comum permite construir", concretizou.

Lusa

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