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BE questiona Centeno mas recusa "ambiguidade" face a acordo com PS

O Bloco de Esquerda (BE) questionou hoje o ministro das Finanças, Mário Centeno, sobre o sistema financeiro e o seu risco para Portugal, mas advertiu a direita para não ver nestas perguntas uma "ambiguidade" face ao acordo estabelecido com o PS.

MIGUEL A. LOPES

"Escusa a direita de querer ver nesta afirmação qualquer ambiguidade do BE face ao compromisso que assumimos com o PS e com todo o país", advertiu a porta-voz do Bloco, Catarina Martins, numa intervenção no parlamento no segundo dia de debate do programa do XXI Governo constitucional.

O sistema financeiro, sustentou a deputada bloquista, "continua a ser um risco para o país", e "quando se sabe das dificuldades do Banif e do Novo Banco a prioridade tem de ser mesmo não repetir os erros do passado".

Nesse sentido, advogou Catarina Martins, o executivo "não pode esconder-se no Banco de Portugal, nem o Banco de Portugal [pode] continuar a apresentar pela calada faturas cada vez mais pesadas aos contribuintes portugueses".

O Bloco exigirá "com a mesma determinação" um governo capaz de travar o empobrecimento mas também disponível para uma "clara prestação de contas sobre o sistema financeiro e a defesa intransigente dos interesses do Estado e do erário público face a uma banca e a um regulador que falharam vezes demais".

E acrescentou: "O BE não faltou, nem faltará, a nenhum compromisso com a recuperação de rendimentos do trabalho e a defesa do Estado social. E esse é um trabalho para a legislatura".

Catarina Martins acusou ainda a direita de "fraude eleitoral" na última campanha eleitoral, referindo-se à bloquista à "sobretaxa [de IRS] que afinal não é devolvida", à "economia estagnada" ou ao "falhanço da meta do défice".

A intervenção da porta-voz do BE foi a primeira no dia em que a Assembleia da República conclui a discussão do Programa do XXI Governo Constitucional, que terminará com o 'chumbo' pelas bancadas da esquerda da anunciada moção de rejeição a ser apresentada pelo PSD e pelo CDS-PP.

Menos de um mês depois do debate do programa do XX Governo, apoiado pela coligação PSD/CDS-PP, - que foi derrubado a 10 de novembro pela aprovação de uma moção de rejeição do PS, com o apoio da restante oposição -, o parlamento retomou hoje às 10:00 o debate iniciado na quarta-feira, e que só deverá terminar durante a tarde de hoje.

Para o segundo dia restam perto de três horas de debate, a que se somam o encerramento da discussão do Programa do Governo para o qual estão reservados mais 100 minutos.

Lusa