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Manoel de Oliveira

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Estreia hoje o filme que Manoel de Oliveira fez para ser visto a título póstumo

Um mês depois da morte do realizador Manoel de Oliveira, estreia-se hoje no Porto o documentário biográfico inédito "Visita ou memórias e confissões", rodado em 1982 para ser mostrado apenas a título póstumo. 

© Tobias Schwarz / Reuters

A exibição, em duas sessões de entrada livre, acontecerá no Teatro Municipal do Rivoli. Na terça-feira, o filme será exibido na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, e no final do mês estreará no festival de Cannes, em França.

O realizador tinha depositado uma cópia na Cinemateca Portuguesa, deixando estipulado que o filme só deveria ter exibição pública após a sua morte.

"O cinema é a minha paixão e sempre tudo sacrifiquei à possibilidade de poder fazer os meus filmes", afirma Manoel de Oliveira nos primeiros minutos deste filme, que rodou em 1981, quando tinha 73 anos, na casa onde viveu, no Porto, durante mais de quarenta anos.

Aquela casa é o cenário e o mote para o documentário, que conta com diálogos escritos por Agustina Bessa-Luís, ditos por Diogo Dória e Teresa Madruga. Os atores dão voz a um casal que deambula pela habitação e que nunca se cruza com Manoel de Oliveira.

O realizador fez este documentário quando estava a planificar "Non ou a vã glória de mandar". Depois desse, ainda fez mais de vinte filmes, entre os quais "A divina Comédia", "Vale Abraão" e "O convento".

Durante pouco mais de uma hora, Oliveira fala sobre os seus antepassados, aborda a relação com a morte e com o sofrimento, explica o fascínio pelas mulheres e recorda os dias que passou na prisão depois de ter sido detido e interrogado pela PIDE, nos anos 1960.

O filme é dedicado à mulher, Maria Isabel, "a realidade sem subterfúgios", que aparece por breves minutos a apanhar flores e a falar sobre a relação com o realizador.

Manoel de Oliveira morreu a 02 de abril, no Porto, aos 106 anos.


Lusa
  • A vida de Manoel de Oliveira

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    Desde criança que Manoel de Oliveira sentiu enorme fascínio pelo cinema. O pai levava-o em miúdo a assistir às primeiras obras da sétima arte. A sua vida é pontuada por períodos de paragem na produção cinematográfica, nas décadas de 1940 e 1950 foram muitos os projetos que ficaram na gaveta. Contou com a ajuda da família para manter a chama acesa e continuar a produzir os seus filmes até, mais tarde, ter o reconhecimento que lhe permitiu uma atividade regular. Mas da sua vida fazem parte outras paixões, como a do desporto, que o tornou popular durante a sua juventude. Momentos que marcam a vida do realizador mais velho do Mundo.

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