sicnot

Perfil

Marcelo sucede a Cavaco

Marcelo sucede a Cavaco

Marcelo sucede a Cavaco

Marcelo Rebelo de Sousa, o comentador que chegou a Belém

Marcelo Rebelo de Sousa, 67 anos, é o quinto Presidente da República portuguesa eleito em democracia e vai suceder, a partir de quarta-feira, a Aníbal Cavaco Silva, que ocupou o cargo entre 2006 e 2016.

Armando Franca/ AP

Aluno brilhante, professor catedrático, comentador televisivo, político, Marcelo Rebelo de Sousa chega a chefe de Estado, após ter obtido 52% dos votos, e quase 20 anos depois de ter liderado o PSD.

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou em Celorico de Basto, terra da sua avó Joaquina, a 09 de outubro de 2015, a sua candidatura à Presidência da República por considerar ter de pagar ao país o que dele recebeu e por ter o desprendimento exigido de quem não precisa de "lugares, promoções e popularidades".

Celorico de Basto, no distrito de Braga, foi também o local escolhido para encerrar a campanha eleitoral e foi onde Marcelo exerceu o direito de voto.

"Cumprirei o meu dever moral de pagar a Portugal o que Portugal me deu. Serei candidato à Presidência da República de Portugal", afirmou na apresentação da candidatura, dizendo que de outro modo "sentiria o remorso de ter falhado por omissão".

Com dois filhos e cinco netos, Marcelo Rebelo de Sousa nasceu em Lisboa a 12 de dezembro de 1948, filho de um médico e de uma assistente social. A primeira escola que frequentou foi o Lar da Criança, para onde entrou com apenas ano e meio e teve como colega o cirurgião Alfredo Barroso. Dali, Marcelo saiu para o Liceu Pedro Nunes, onde foi o melhor aluno. Já na Faculdade de Direito de Lisboa continuou o percurso de aluno brilhante, terminando o curso com 19 valores.

Mas, ao contrário de muitos outros, não foi na faculdade que teve o primeiro contacto com a política. Marcelo Rebelo de Sousa nasceu e cresceu no meio dela e conviveu desde cedo com a família do então primeiro-ministro do Estado Novo, Marcello Caetano, devido ao envolvimento político do pai, Baltazar Rebelo de Sousa, que foi ministro das Corporações e do Ultramar.

O seu percurso no PSD também começou cedo. Militante desde 1974, ficou responsável pela implementação do então PPD no sul do país. Vinte anos depois, em 1996, no pós-cavaquismo, chegou à liderança do partido, cargo que ocupou durante três anos, saindo depois do fracasso da tentativa de reeditar a Aliança Democrática, com Paulo Portas no CDS-PP.

A sua ascensão à presidência do PSD ficou para sempre marcada por uma frase. Pouco tempo antes do congresso de Santa Maria da Feira, quando questionado se algum dia seria candidato à liderança do partido, o 'professor' foi perentório: "Nem que Cristo desça à terra".

Antes, em 1989, o agora candidato presidencial disputou as suas primeiras eleições como número um da lista do PSD e do CDS-PP à Câmara de Lisboa. É nessa campanha eleitoral que protagonizou um episódio até hoje recordado. Confrontado com alguma falta de notoriedade, Marcelo decide fazer alguma coisa de diferente e mergulha no Tejo em frente às câmaras de televisão para mostrar como o rio estava poluído. O gesto deu que falar, mas nem por isso lhe valeu a vitória.

Mas, além da liderança do partido e da experiência autárquica, não só em Lisboa, como em Cascais e Celorico de Basto, os 'corredores do poder' são bem conhecidos de Marcelo Rebelo de Sousa, que foi deputado à Assembleia Constituinte, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros do VIII Governo Constitucional, vice-presidente do Partido Popular Europeu entre 1997 e 1999 e membro do Conselho de Estado durante quase dez anos.

Profissionalmente, além da longa carreira como professor catedrático, não só na Faculdade de Direito de Lisboa, mas também na Universidade Católica, Marcelo Rebelo de Sousa passou também pelo Expresso, nos tempos iniciais do semanário fundado pelo militante número um do PSD, Francisco Pinto Balsemão.

Dessa altura vem também outro episódio caricato, quando foi publicada na secção 'Gente' do semanário, no meio de um texto, uma frase da autoria de Marcelo fora de qualquer contexto: "O Balsemão é 'lelé' da cuca".

Mais tarde, a relação entre os dois volta a sofrer novo abalo, quando Marcelo estava à frente do Expresso e Balsemão liderava o Governo, com os mais duros ataques ao executivo a surgirem precisamente naquele semanário.

Paulo Portas foi outros dos alvos das 'brincadeiras' de Marcelo, quando o atual líder do CDS-PP dirigia o semanário Independente. À saída de uma reunião com o então Presidente da República Mário Soares, Marcelo terá contado a Paulo Portas que tinha sido servida uma 'vichyssoise', uma informação que posteriormente se veio a confirmar ser falsa e que, anos mais tarde, começou a ser usada como exemplo de que Marcelo seria uma pessoa pouco fiável.

Essa é, aliás, uma das críticas mais repetidas à sua personalidade, a par de ser uma pessoa instável e demasiado imprevisível.

Simultaneamente todos o reconhecem como uma pessoa de grande inteligência, simpático, divertido, emotivo e um verdadeiro estratega político.

Lusa

  • Quem é quem na Presidência de Marcelo

    Marcelo sucede a Cavaco

    O presidente eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, já escolheu três das principais figuras da hierarquia no Palácio de Belém, que vai ocupar a partir de 9 de março. Frutuoso de Melo é o chefe da Casa Civil, o tenente-general João Luís Ramirez de Carvalho Cordeiro é o chefe da Casa Militar e José Augusto Duarte é o assessor diplomático. Rebelo de Sousa anunciou igualmente as personalidades que escolheu para o Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República: Eduardo Lourenço, António Guterres, António Lobo Xavier, Leonor beleza e Luís Marques Mendes.Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito Presidente da República a 24 de janeiro, com mais de 52% dos votos, e tomará posse na próxima quarta-feira.

  • Manuel de Arriaga ganhava 18 mil reis em 1911
    1:32

    Marcelo sucede a Cavaco

    Desde o primeiro Presidente da República muito mudou quanto ao salário do inquilino do Palácio de Belém. Manuel de Arriaga ganhava 15 vezes mais que um deputado, Ramalho Eanes teve de vender um apartamento para enfrentar as despesas, Cavaco Silva abdicou do ordenado preferindo receber uma reforma mais choruda.

  • Os anos de Cavaco Silva
    9:31

    Marcelo sucede a Cavaco

    Cavaco Silva termina a sua intervenção na vida política com mais de duas décadas. Foi o único primeiro-ministro de Portugal a conquistar duas maiorias absolutas e o primeiro Chefe do Estado oriundo do centro-direita. O legado de Cavaco Silva, o político que nunca se reviu como político, é o tema da Reportagem Especial.

  • Os 25 vetos de Cavaco Silva

    Marcelo sucede a Cavaco

    Em dez anos como Presidente da República, Cavaco Silva usou o veto político 25 vezes, tendo as questões de género marcado a 'estreia' e a 'despedida' dos diplomas devolvidos ao parlamento pelo chefe de Estado. Desde que tomou posse a 9 de março de 2006, Cavaco Silva vetou politicamente 25 diplomas, 21 dos quais da Assembleia da República e quatro do Governo, tendo apenas uma das recusas de promulgação sido relativamente a leis dos executivos de Pedro Passos Coelho e as restantes três dirigidas a José Sócrates. O primeiro veto de Cavaco Silva aconteceu três meses após iniciar funções, com a Lei da Paridade, e o último já depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter sido eleito para lhe suceder em Belém e incidiu nas alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG) e adoção por casais do mesmo sexo.

  • Presidente da Proteção Civil demitiu-se

    País

    O Presidente da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), Joaquim Leitão, pediu esta quarta-feira a demissão com efeitos imediatos. A carta de demissão foi enviada para o Ministério da Administração Interna, no entanto, uma vez que a ministra também se demitiu, o documento seguiu para o gabinete do primeiro-ministro, António Costa.

  • Provavelmente o melhor golo da noite de Liga Europa
    1:24
  • Vitória de Guimarães mais longe dos 16 avos de final
    1:48
  • O perfil dos novos ministros
    3:22

    País

    Pedro Siza Vieira e Eduardo Cabrita são os dois novos ministros que tomam posse no próximo sábado. Ambos têm uma particularidade: são amigos de longa data do primeiro-ministro António Costa.

  • Não me parece o melhor princípio político, mas percebo que António Costa queira ter junto de si, sobretudo em tempos difíceis, os mais próximos. Os homens de confiança pessoal e política. Em plena tempestade, o primeiro-ministro chamou dois amigos de longa data, ex-colegas da Faculdade de Direito, Eduardo Cabrita e Pedro Siza Vieira. E eles não disseram que não.

    Bernardo Ferrão

  • Fogos na Califórnia provocaram 42 mortos e perdas acima de mil milhões de dólares

    Mundo

    O comissário dos seguros da Califórnia afirmou esta quinta-feira que as perdas provocadas pelos incêndios que dizimaram extensas áreas deste Estado norte-americano excedem os mil milhões de dólares (844 milhões de euros). Estes incêndios, que começaram no condado de Sonoma County, já provocaram a morte a 42 pessoas no mês de outubro.

  • Quem está ao lado de Trump? Melania ou uma sósia?

    Mundo

    A especulação surgiu no Twitter: estaria Trump acompanhado de uma sósia de Melania para ocultar a ausência da mulher num evento oficial? A teoria da conspiração ganhou depois força nas redes sociais. Julgue por si mesmo.

    SIC

  • Norte-americano entrega-se após perder aposta com a polícia no Facebook

    Mundo

    Um jovem de 21 anos procurado pela polícia norte-americana entregou-se, esta segunda-feira, depois de perder uma aposta com a polícia, no Facebook. Michael Zaydel prometeu entregar-se se uma publicação sobre o seu desaparecimento chegasse às mil partilhas, na rede social. O jovem norte-americano prometeu ainda levar uma dúzia de donuts, caso os agentes da cidade de Redford conseguissem ganhar a aposta.

    SIC