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Maria Barroso 1925-2015

Maria Barroso 1925-2015

Maria Barroso

Maria Barroso é "uma perda irreparável para o país"

O secretário-geral do PS e a direção socialista manifestaram hoje "profunda emoção e consternação" pelo falecimento de Maria de Jesus Barroso, mulher do ex-Presidente da República Mário Soares, considerando representar uma perda irreparável para o país.

MANUEL DE ALMEIDA

Maria de Jesus Barroso morreu hoje, aos 90 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internada em estado grave desde 26 de junho.

"O PS e o seu secretário-geral, António Costa, manifestam a sua mais profunda emoção e consternação pelo falecimento da nossa camarada, fundadora e militante n.º 6, Maria de Jesus Simões Barroso Soares. A sua morte constitui uma perda irreparável para o PS e para o país, que nela sempre viu - e admirou - uma mulher de combate, com uma atividade incansável em prol dos seus ideais e das suas convicções", refere a nota de condolências subscrita pelo líder dos socialistas. 

Em comunicado, o secretário-geral do PS destaca que Maria Barroso começou a demonstrar cedo uma atitude "indomável perante a vida ao abandonar uma carreira onde já era reconhecida como uma das melhores atrizes portuguesas para partilhar o combate pela democracia com o seu marido, Mário Soares, estando presente no ato fundador do PS, em 19 de abril de 1973, em Bad Munstereifel, na Alemanha".

"Mas Maria Barroso sempre teve uma voz e um papel próprios nesse combate", tendo sido candidata pela oposição democrática em 1969, salienta-se também no comunicado assinado pelo secretário-geral do PS.

Em relação ao período após o 25 de Abril de 1974, António Costa refere que Maria Barroso "constituiu sempre uma voz ativa em defesa dos valores da democracia e da solidariedade, incansável na defesa dos mais desfavorecidos e no combate à exclusão social". 

"Em 1976 foi eleita pela primeira vez deputada pelo PS, tendo sido reeleita em mais três legislaturas. Maria Barroso foi uma exemplar primeira-dama de Portugal, com uma ação permanente e influente nos mais diversos domínios sociais. Depois disso foi presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, com a dedicação e o empenho de sempre. Viria a fundar a Fundação Pro Dignitate, em prol dos Direitos Humanos, com atividade em Portugal e nos países de Língua Oficial Portuguesa nessa área e na da prevenção da violência", refere o líder socialista. 

António Costa destaca ainda Maria Barroso como pedagoga, "com uma ação notável à frente do Colégio Moderno" em Lisboa.

"Maria Barroso teve uma vida cheia, sendo sempre capaz de aliar essa sua intervenção na sociedade à sua sempre presente condição de mulher, mãe e avó. O PS acaba de perder hoje uma sua grande referência, uma militante notável e sempre empenhada. Portugal perde uma cidadã excecional", salienta o secretário-geral do PS.

A nota de condolências de António Costa termina com a citação de um poema de Sophia de Mello Breyner, que foi amiga de Maria de Jesus Barroso: 

"Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação,
E nunca as minhas mãos ficam vazias".

                             

Lusa

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