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Mário Soares 1924-2017

Mário Soares 1924-2017

Mário Soares 1924-2017

O antifascista que teve a visão que era preciso um partido socialista em Portugal

© Marcos Borga / Reuters

O político e poeta Manuel Alegre evocou este domingo Mário Soares como um combatente antifascista que cedo teve a visão que era preciso criar um partido que tivesse o apoio da Internacional Socialista e dos partidos democráticos.

Manuel Alegre, em entrevista à RTP, considerou ainda que a morte no sábado de Mário Soares significa um luto não só para si, para os filhos, a família e amigos, mas também para o país, do qual foi primeiro-ministro e Presidente da República.

Manuel Alegre alertou para as "tentações revisionistas" sobre a biografia de Mário Soares, lembrando que o antigo líder do PS começou por ser opositor ao regime de Salazar, como militante do PCP, tendo depois entendido que era necessário um partido que juntasse os socialistas e que tivesse o apoio da Internacional Socialista e dos partidos democráticos.

Tudo isto numa altura em que a "grande força da resistência (antifascista) era o PCP", observou Manuel Alegre, revelando que conheceu Mário Soares em Paris, numa visita realizada com Piteira Santos.

Já na fase do pós-25 de Abril, Alegre recordou Mário Soares como alguém que se opôs à instauração de uma democracia popular, apoiada pelo PCP e inspirada nos países de Leste.

Manuel Alegre descreveu ainda Soares como um "homem de fibra, otimista e voluntarioso", que acreditava sempre na vitória, mesmo quando as sondagens eleitorais estavam muito baixas.

"Era um otimista e tinha uma grande alegria", relatou Manuel Alegre, confidenciando que Soares gostava de literatura e de pintura e era amigo de "muitos escritores e poetas".

No plano das confidências pessoais, revelou também que Soares "não gostava de almoçar sozinho", razão pela qual almoçava e jantava frequentemente com os amigos e camaradas dom PS.

Alegre falou ainda do papel de Mário Soares na Europa e na Internacional Socialista e dos seus amigos Willy Brandt, Olof Palme e Miterrand.

Mário Soares morreu no sábado no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há 26 dias, desde 13 de dezembro.

O Governo decretou três dias de luto nacional, a partir de segunda-feira.

O corpo do antigo Presidente da República vai estar em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos a partir das 13:00 de segunda-feira, e o funeral de Estado realiza-se a partir das 15:30 de terça-feira, para o Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

Lusa

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