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Mário Soares 1924-2017

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Cerimónias fúnebres de Mário Soares terminam com fortes aplausos

NUNO FOX

As cerimónias fúnebres de Mário Soares terminaram esta terça-feira no cemitério dos Prazeres, em Lisboa, pelas 16:14, no jazigo onde está sepultada a mulher do antigo Presidente da República, Maria Barroso, debaixo de fortes aplausos dos presentes.

Depois das cerimónias em frente à capela no cemitério dos Prazeres, durante as quais o Presidente da República entregou aos filhos a bandeira nacional que cobria a urna de Mário Soares e se ouviu a voz do antigo chefe de Estado, o cortejo passou ainda em frente ao jazigo de Jaime Cortesão.

Numa cerimónia mais reservada, a urna de Mário Soares entrou no jazigo da família, tendo-se ouvido muitas palmas dos presentes.

"A verdade não pertence em exclusivo a ninguém e não há nada que substitua a tolerância", ouviu-se pela voz de Soares, em 1986, no primeiro tempo das presidenciais daquele ano.

No cemitério foram muitos os anónimos que fizeram questão de estar presentes para um último adeus, levando alguns deles flores com as quais quiseram homenagear Mário Soares e a sua memória.

O cortejo tinha chegado ao cemitério dos Prazeres às 15:50, tendo sido recebido por honras fúnebres pelos militares dos três ramos das Forças Armadas em parada, com centenas de cidadãos a aplaudir.

O armão que transportava a urna de Mário Soares e as mais altas entidades e família que integravam o cortejo fúnebre foram recebidos na praça João Bosco por vários membros do Governo e pelo presidente da câmara de Lisboa, Fernando Medina, tendo-se depois ouvido a marcha fúnebre pela banda do Exército e a entrada da urna no cemitério dos Prazeres sido acompanhada por três salvas de tiros.

Já dentro do cemitério, a urna foi levada até à frente da capela - que tinha numa das paredes a foto do histórico socialista a preto e branco e na outra uma tarja preta com a data de nascimento e de morte do antigo chefe de Estado - onde decorreram os últimos momentos das honras militares, cerimónia que começou com a voz de Mário Soares.

Até ao jazigo de família onde Mário Soares ficou sepultado seguiram sempre os filhos, netos e familiares, que estiveram acompanhados pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pelo Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, por vários membros do Governo e muitas caras do espetro político, com especial ênfase nos socialistas.

Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

O Governo português decretou três dias de luto nacional, até quarta-feira.

Nascido a 7 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

Lusa

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