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Austrália investiga 800 cidadãos após divulgação de lista "Documentos do Panamá"

A Austrália está a investigar 800 cidadãos por possíveis evasões tributárias após a divulgação da lista de nomes, alegadamente envolvidos em esquemas de corrupção com offshores, divulgada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, informou hoje a imprensa local.

© Carlos Jasso / Reuters

O caso está relacionado com revelações feitas no domingo sobre a criação de milhares de empresas "offshore" e paraísos fiscais, um escândalo que implica 140 políticos e funcionários de todo o mundo, incluindo 12 antigos e atuais líderes mundiais, segundo vários órgãos de comunicação.

"Atualmente identificámos mais de 800 contribuintes (australianos) e ligámos mais de 120 deles a um fornecedor associado de serviços situado em Hong Kong", disse o departamento australiano de impostos ao diário The Australian Financial Review.

Segundo a estação local ABC, os suspeitos australianos estão sobretudo ligados à "Popular Corporate Service Limited", um dos fornecedores de serviços "offshore", que procura os serviços da empresa de advogados panamiana Mossack Fonseca para alegadamente contornar a lei.

Segundo a investigação jornalística liderada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, em que participaram a AFR e a ABC, a Mossack Fonseca frustrou as investigações na Austrália e tentou evitar que este país troque informação fiscal com Samoa, um dos paraísos fiscais.

Uma fuga de documentação da empresa de advogados Mossack Fonseca, no Panamá, revelou nomes de vários políticos com dinheiro depositado naquele paraíso fiscal, fugindo aos impostos no seu país, noticiou a BBC.

Segundo a BBC, 11 milhões de documentos de uma das empresas mais secretas do mundo, foram divulgados, e revelam como a Mossack Fonseca tem ajudado os seus clientes na lavagem de dinheiro, em contornar sanções e na evasão fiscal.

A lista, conhecida como "Documentos do Panamá", faz ligações a 72 chefes de Estado, atuais e antigos, incluindo ditadores acusados de saquear os seus próprios países.

O jornal inglês The Guardian avança que os documentos mostram como essas aplicações financeiras de membros do círculo fechado do Presidente russo Vladimir Putin os tornaram "fabulosamente ricos".

O Presidente russo não aparece em nenhum dos registos, mas os dados revelam um padrão: os seus amigos, Yuri Kovalchuk e Sergei Roldugin ganharam milhões em negócios, que aparentemente não poderiam ter sido efetuados sem o seu patrocínio, refere o jornal.

A empresa afirma que opera há 40 anos acima de qualquer crítica ou ilegalidade e nunca foi acusada de qualquer ato criminoso.

Lusa

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