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PM islandês rejeita demissão após revelação de que possui bens em paraíso fiscal

O primeiro-ministro islandês David Gunnlaugsson excluiu hoje demitir-se após a revelação de que possui bens dissimulados num paraíso fiscal, no âmbito da publicação dos chamados Documentos do Panamá (Panama Papers).

Primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson.

Primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson.

© Scanpix Sweden / Reuters

"Não considerei demitir-me devido a isso e não me demitirei devido a isso", declarou o chefe do Governo à cadeia televisiva Stöd 2.

A oposição de esquerda exigiu o seu afastamento logo após a divulgação dos documentos, onde se refere que terá criado em 2007 uma sociedade com a sua mulher nas ilhas Virgens britânicas para gerir a sua fortuna.

A mulher de Gunnlaugsson, Anna Sigurlaug Palsdottir, divulgou publicamente em meados de março a existência dessa sociedade, designada Wintris, que gere a fortuna que herdou de seu pai, um antigo empresário, e negou qualquer evasão fiscal.

O caso está a revelar-se particularmente sensível num país ainda marcado pelos escândalos da década de 2000 que envolveram o setor financeiro e pelo colapso económico registado em 2008.

Se acordo com os documentos publicados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), Gunnlaugsson, 41 anos, deteria 50% da sociedade envolvida até ao final de 2009. Quando foi eleito pela primeira vez deputado em abril de 2009, na qualidade de líder do Partido Progressista, omitiu essa participação na sua declaração de património.

Para esta semana já estão previstas diversas manifestações, a primeira programada para o final da tarde de hoje.

Num país com 320.000 habitantes, mais de 24.000 pessoas tinham já assinado até ao início da tarde de hoje uma petição 'online' que apela para a demissão do primeiro-ministro.

A oposição preparava-se para avançar também hoje com uma moção de censura, que deverá ser provavelmente votada no parlamento durante a próxima semana.

Após um governo social-democrata, que subiu ao poder na sequência do colapso económico da Islândia em 2008, Gunnlaugsson garantiu o cargo de primeiro-ministro em 2013 com o apoio do Partido da Independência, cujo líder, Bjarni Benediktsson, atual ministro das Finanças, também surge nos "Documentos do Panamá".

Uma lista de mais de 70 nomes de chefes ou ex-chefes de Estado alegadamente envolvidos em esquemas de corrupção com sociedades 'offshore' foi divulgada no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

Os documentos revelam que milhares de empresas foram criadas em paraísos fiscais para que políticos e personalidades administrassem o seu património.

Lusa

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