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Panamá investiga alegados crimes após revelação de lista comprometedora

O Ministério Público do Panamá anunciou, no domingo, que vai investigar alegados crimes revelados numa fuga de documentos de um escritório de advogados do país, que prestou serviços de gestão de patrimónios de políticos e personalidades internacionais.

A lista divulgada este domingo inclui 72 chefes ou ex-chefes de Estado entre os clientes da empresa de advogados panamiana Mossack Fonseca, citados por alegados crimes económicos.

A lista divulgada este domingo inclui 72 chefes ou ex-chefes de Estado entre os clientes da empresa de advogados panamiana Mossack Fonseca, citados por alegados crimes económicos.

© Carlos Jasso / Reuters

Em comunicado, a procuradoria-geral panamiana informou sobre o início das "respetivas investigações" após ter tido conhecimento da lista conhecida como "Os Documentos do Panamá", sem avançar detalhes.

A lista, que inclui 72 chefes ou ex-chefes de Estado entre os clientes da empresa de advogados panamiana Mossack Fonseca citados por alegados crimes económicos, foi divulgada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), que agrega mais de cem meios de comunicação.

A série de nomes inclui o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón, o Presidente da Argentina, Mauricio Macri, o futebolista Lionel Messi e o cineasta espanhol Pedro Almodóvar.

O Presidente russo não aparece em nenhum dos registos, mas os dados revelam um padrão: os seus amigos, Yuri Kovalchuk e Sergei Roldugin ganharam milhões em negócios, que aparentemente não poderiam ter sido efetuados sem o seu patrocínio, refere o jornal The Guardian.

A Mossack Fonseca, especialista na gestão de capitais e patrimónios, negou à agência espanhola Efe qualquer vinculação a delitos que possam ter cometido centenas de milhares de clientes, de acordo com informações tornadas hoje públicas.

Ramón Fonseca Mora, sócio da empresa, disse que a companhia tem 40 anos de atividade legal e que criou 240 mil estruturas jurídicas, sem ter sido acusada ou condenada por qualquer crime.

Segundo a imprensa, a empresa comunicou aos seus clientes que foi alvo de um ataque informático e que os seus dados poderão ter sido afetados.

A fuga de documentação revelada hoje pôs a descoberto os bens de 140 responsáveis políticos ou personalidades em paraísos fiscais.

O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação precisa, na sua página na internet, que mais de 240 mil entidades "offshore" aparecem, em 11,5 milhões de documentos, ligadas a mais de 200 países e territórios.

Lusa

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