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Procurador-geral do Equador pede auditoria às suas próprias contas

O procurador-geral do Equador, Galo Chiriboga, negou hoje ter contas em paraísos fiscais e disse que vai pedir uma auditoria às suas próprias declarações de bens, depois de o seu nome ter surgido nos "Panama Papers". Chiriboga, que deu declarações à imprensa através de videoconferência a partir de Espanha, disse que na próxima segunda-feira vai pedir aos organismos do seu país para investigarem as suas declarações de bens e o cumprimento das suas obrigações fiscais.

RONALD ZAK

"O facto de o meu nome estar no Panama Papers não implica (...) que haja uma infração", afirmou.

O nome de Galo Chiriboga, segundo a imprensa equatoriana, surge nos "Panama Papers" associado à empresa Madrigal Finance, registada no Panamá e da qual seria proprietário.

"Não tenho qualquer conta em nenhum paraíso fiscal, a empresa Madrigal não faz operações de nenhuma natureza no país, nem no Panamá nem em lado nenhum do mundo e espero que isso seja verificado pela auditoria a realizar pelo Serviço de Rendimentos Internos", disse.

O procurador-geral equatoriano disse que a empresa foi constituída em 1999, quando não exercia atividade pública e que está inscrita num processo em que um banco não pode honrar uma obrigação a seu favor, pelo que recebeu como pagamento os direitos judiciais de um crédito hipotecário.

Chiriboga também disse que esses direitos foram transferidos para a citada empresa porque dadas as "condições de crise do sistema político e económico equatoriano" naquele momento, era necessário "tomar medidas para proteger esse dinheiro".

"Panama Papqers" são o resultado da maior investigação jornalística da história, divulgada na noite de domingo, envolvendo o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington.

Na investigação são destacados os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas 'offshore' em mais de 200 países e territórios.

A partir dos Panama Papers, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em 'offshores' e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.

Com Lusa

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