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Mario Vargas Llosa nega envolvimento nos Panama Papers

O escritor peruano Mario Vargas Llosa afirmou na segunda-feira que o seu nome aparece referenciado nos "Panama Papers" devido a um "pequeno mal-entendido", já que "nunca" deteve qualquer empresa num paraíso fiscal.

© Andrea Comas / Reuters

"O meu nome apareceu numa empresa que nunca existiu, numa empresa que chamam de dormente", afirmou Vargas Llosa, aos jornalistas, após uma homenagem pela sua carreira literária na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington.

"Os advogados que tomam conta dos meus direitos de autor provavelmente reservaram [a empresa] por cinco semanas e houve uma contraordem e essa suposta empresa que nunca existiu desapareceu", explicou o escritor que foi acionista durante um mês de uma sociedade sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, segundo os dados revelados no âmbito dos "Panama Papers".

Vargas Llosa desvinculou-se da referida sociedade antes de receber o Nobel da Literatura em 2010, segundo a sua própria versão dos factos, que sempre rejeitou qualquer relação com o gabinete de advogados panamiano Mossack Fonseca.

O diário digital espanhol El Confidencial publicou na semana passada que os dados que tem em sua posse no quadro dos "Panama Papers" "demonstram" que o escritor peruano "esteve muito perto de controlar a empresa Talome Services a par com a sua ex-mulher Patricia Llosa durante um breve período de tempo em 2010".

A empresa foi comprada pelo casal Llosa à Mossack Fonseca através de um intermediário, Dave Marriner, executivo da empresa holandesa Pan-Invest Management, com sedes em Chipre e Luxemburgo.

O Nobel da Literatura admitiu na segunda-feira que no passado "tentou explicar por que existem esses paraísos fiscais", mas que isso "é diferente de justificar" a sua existência.

Para Vargas Llosa, tudo não passou de um "pequeno mal-entendido", "explorado" pelo jornalismo sensacionalista.

A maior investigação jornalística da história, divulgada há uma semana, envolve o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington, e destaca os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas 'offshore' em mais de 200 países e territórios.

Com Lusa

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