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Justiça norte-americana abre inquérito penal sobre escândalo dos Panama Papers

A justiça norte-americana abriu um inquérito sobre factos ligados ao escândalo de evasão fiscal conhecido como "Panama Papers", indicou o procurador federal de Nova Iorque.

As autoridades "abriram um inquérito penal sobre factos relacionados com os 'Panama Papers'", escreve Preet Bharara numa carta citada pela agência France Presse, enviada no início de abril do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês).

Na carta, datada de 04 de abril, dia seguinte às primeiras revelações dos "Panama Papers", Preet Bharara não identifica os factos visados pelo inquérito, mas pede para falar, "tão depressa quanto possível", com os representantes do ICIJ, responsáveis pela investigação e divulgação do escândalo.

A publicação dos "Panama papers" provocou uma onda de choque em todo o mundo, conduzindo à abertura de inquéritos em vários países e está na origem da demissão do primeiro-ministro islandês e de um ministro espanhol.

Uma investigação realizada por uma centena de jornais em todo o mundo sobre 11,5 milhões de documentos revelou bens em paraísos fiscais de 140 responsáveis políticos ou personalidades públicas.

O conjunto de documentos, denominados "Panama Papers", provém da sociedade de advogados panamiana Mossack Fonseca.

Segundo o ICIJ, que reuniu para este trabalho 370 jornalistas de mais de 70 países, mais de 214.000 entidades 'offshore' estão envolvidas em operações financeiras em mais de 200 países e territórios em todo o mundo.

Até agora, a investigação dos "Papéis do Panamá" ("Panama Papers", em inglês) permitiu a revelação de que milhares de empresas foram criadas em 'offshores' e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre elas, o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón, entre outros.

Com Lusa

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