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Papa Francisco em Fátima

Peregrinos a mais de 120 km de Fátima. O negócio do turismo religioso

Nacho Doce

A capacidade hoteleira Fátima está esgotada desde o início do ano. Com tantos eleitores como celebrações religiosas (missas, procissões ou recitações de terço), a pequena freguesia do concelho de Ourém está entre os locais mais visitados do país. Recebeu mais de 5.3 milhões de pessoas no ano passado e 6,6 milhões em 2015. Com a vinda do Papa Francisco a Associação Empresarial de Ourém-Fátima (ACISO) acredita que 8 milhões de visitantes possam vir a Fátima, na próxima semana.

Segundo o Eurostat, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia, Portugal recebeu 60,6 milhões de turistas em 2016. Entre 10 a 14% por cento terão vindo por motivos religiosos. E Fátima ocupa, naturalmente, um lugar de destaque.

No ano passado, o município de Ourém onde pertence a freguesia de Fátima, estava em 1º no Top10 do número de dormidas na região centro, com um total de 727.904, logo seguido de Coimbra, com 526.235 dormidas.

Por outro lado, a secretária de Estado do Turismo, Ana Godinho, afirmou, no ano passado, no decorrer de uma visita ao Brasil, que o turismo religioso atraía todos os anos 3,3 milhões de visitantes estrangeiros.

Já o Turismo de Portugal usa os dados do INE para lembrar que, no decorrer da última visita papal, em maio de 2010, 35.414 pessoas pernoitaram em Fátima, num total de 66.009 dormidas, o que representou um crescimento de 10,6% relativamente ao ano anterior.

No entanto, "em Fátima e Ourém, o número de camas vai pouco além das 7.500 em estabelecimentos hoteleiros, valor que, por norma, esgota todos os anos nas comemorações de maio", refere o presidente da ACISO, Domingos Neves.

De acordo com dados da ACISO, a procura por alojamento e as reservas para a noite de 12 para 13 de maio espalham-se pelos municípios da Batalha, Leiria, Alcobaça, Nazaré, Figueira da Foz, Coimbra e chegam até Aveiro.

Os números do INE comprovam esse défice, já que, apesar de Ourém ter registado perto de 728 mil dormidas em 2016, em 2014 havia apenas 125 camas de hotéis por cada mil habitantes, o que colocava o município em quinto lugar no top10, muito abaixo de Porto Santo (537), Albufeira (331), Vila Real de Santo António (183) e Lagoa (128).

No global do país, o município de Ourém-Fátima aparece em terceiro lugar no número de hotéis, com 43 em 2015, num aumento de um por ano desde 2013, apenas atrás de Lisboa (155) e Porto (71).

Olhando para os proveitos de aposento, dados da Pordata para 2014 revelam que o município Ourém-Fátima faturou 2.111,4 euros por cama/por ano, ainda assim um valor muito distante dos 7.980,9 euros de Lisboa ou dos 5.866,6 da Região Autónoma da Madeira.

Por outro lado, a ACISO destaca que "69% das dormidas registadas em Fátima são referentes a turistas estrangeiros", sublinhando que "o mercado estrangeiro se mostra cada vez mais exigente".

Já na visita do papa Bento XVI, em 2010, a maioria das pessoas que pernoitou em Fátima era estrangeira, tendo-se registado 23.500 do total de 32.414, ou seja, 66,4%, fenómeno que se manteve em 2015, quando, dos 447.484 hospedes registados, 275.262 (61,5%) eram estrangeiros.

Para o Turismo de Portugal, o impacto da visita do papa Francisco a Fátima será sobretudo sentido no concelho de Ourém, mas ressalva que a notoriedade internacional que daí advém tem "ganhos substantivos na afirmação de Portugal enquanto destino de turismo religioso".A ACISO, por seu lado, diz ter já "em marcha um plano" para "expandir o apogeu que se vive atualmente no turismo religioso para os anos seguintes".

Com lusa

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