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Papa Francisco em Fátima

Papa João Paulo II, o recordista das visitas a Fátima

Paulo Duarte

João Paulo II foi, em 50 anos, o papa que mais visitas fez a Fátima: três ao todo. A primeira em 1982, depois em 1991 e finalmente no ano 2000. João Paulo II fez questão de vir agradecer a "Nossa Senhora" ter sobrevivido ao atentado, um ano antes, na Praça de São Pedro em Roma, do qual saiu ileso a mais uma tentativa de agressão.

A bala que atingiu o Papa João Paulo II foi oferecida ao santuário e encastrada na coroa de diamantes da coroa da N. Senhora que está Capelinha das Aparições

A bala que atingiu o Papa João Paulo II foi oferecida ao santuário e encastrada na coroa de diamantes da coroa da N. Senhora que está Capelinha das Aparições

1982 - a 1ª visita de João Paulo II, para agradecer

De 12 a 15 de maio de 1982 a visito do chefe da igreja católica foi marcada pelo agradecimento à "proteção maternal" de "Nossa Senhora", que lhe "conservou a vida" no atentado do ano anterior, na Praça de São Pedro, em Roma.

O papa polaco, Karol Wojtyla, esteve na Cova da Iria para "agradecer à Divina Providência neste lugar que a mãe de Deus parece ter escolhido de modo tão particular". O papa justificou a sua recuperação por ação de "Nossa Senhora de Fátima".
Simbolicamente, a bala retirada do abdómen de João Paulo II, disparada por Ali Agca, foi oferecida pelo papa ao santuário e encastrada na coroa de diamantes da imagem que figura na imagem que está Capelinha das Aparições.

Primeira visita de João Paulo II a Fátima, em 1982

Primeira visita de João Paulo II a Fátima, em 1982

"Venho hoje aqui porque exatamente neste mesmo dia do mês, no ano passado, se dava, na Praça de São Pedro, em Roma, o atentado à vida do papa, que misteriosamente coincidia com o aniversário da primeira aparição em Fátima, a 13 de maio de 1917", disse o papa, que reconheceu nesta coincidência "um chamamento especial" para estar em Fátima.

João Paulo II ofereceu a Nossa Senhora a bala que, um ano antes, o tinha atingido num atentado. A bala foi colocada simbólicamente na coroa da Nossa Senhora que está na capelinha das Aparições

João Paulo II ofereceu a Nossa Senhora a bala que, um ano antes, o tinha atingido num atentado. A bala foi colocada simbólicamente na coroa da Nossa Senhora que está na capelinha das Aparições

PAULO DUARTE

Nesta visita, registou-se uma nova tentativa de atentado. Desta vez, pelo padre Juan Khron, antigo discípulo espanhol do arcebispo ultraconservador francês Marcel Lefébvre, que atentou contra João Paulo II, acusando-o de trair a Igreja. Mais uma vez, escapou ileso e ainda passou por Coimbra, Porto e Vila Viçosa. É recebido com honras de Estado pelo então Presidente da República, Ramalho Eanes, no Palácio de Belém. Em Fátima, ainda num mundo dividido pela Guerra Fria, entre os Estados Unidos e a União Soviética, o papa pediu "à Senhora" que livre o Mundo "da fome, da guerra, da guerra nuclear" e, aos fiéis, fez um apelo "à penitência e à conversão".Nas ruas, segundo o DN, "uma multidão apoteótica seguiu-lhe cada passo" durante toda a visita. Em Vila Viçosa falou aos agricultores e em Lisboa celebrou uma missa, com milhares de pessoas, no Parque Eduardo VII.

João Paulo II na capelinha das aparições

João Paulo II na capelinha das aparições

Paolo Cocco

1991. o regresso de João Paulo II

Nove anos depois está de volta a Fátima, para a segunda visita a Portugal. Desta vez foi além da Cova da Iria. Foi a Lisboa, Açores e Madeira. Com uma mensagem eminentemente religiosa. Mário Soares, o Presidente da República, chamou a atenção do papa para a situação em Timor-Leste, então ainda a viver sob ocupação militar indonésia, desde 1975. E lembrou que o povo timorense é "vítima de grave violação das normas de direito internacional".

Papa João Paulo encontrou-se várias vezes com a irmã Lúcia. Nesta segunda visita esteve 12 minutos reunido com a única dos 3 pastorinhos ainda vivo. Antes a irmã Lúcia já se tinha encontrado, também em Fátima, com o Papa Paulo VI

Papa João Paulo encontrou-se várias vezes com a irmã Lúcia. Nesta segunda visita esteve 12 minutos reunido com a única dos 3 pastorinhos ainda vivo. Antes a irmã Lúcia já se tinha encontrado, também em Fátima, com o Papa Paulo VI

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Na viagem de avião para os Açores, e rompendo o seu silêncio sobre Timor, anotado pelo Público e DN, o papa confessou que "todos os dias" reza pelos timorenses.Mais uma vez, é recebido por milhares de pessoas. E com entusiasmo popular. E numa altura de mudanças na Europa de Leste e "perestroika" na União Soviética, o papa manifestou o desejo de construir "um mundo com rosto humano, uma sociedade fundada sobre o respeito de Deus e do próximo".De gestos simbólicos, some-se mais um: no dia em que João Paulo II chegava a Portugal, os jornais Público e Expresso e a rádio TSF noticiaram que as FP-25 de Abril entregaram material de guerra, para reivindicar uma amnistia ampla.

Na terceira e última visita do Papa João Paulo II a Fátima os pastorinhos Jacinta e Francisco foram beatificados

Na terceira e última visita do Papa João Paulo II a Fátima os pastorinhos Jacinta e Francisco foram beatificados

Sergio Perez

2000 - última visita de Karol Wojtyla

É a 3ª e derradeira visita de João Paulo II no seu pontifício. Estava doente e prestes a fazer 80 anos.

Nove anos depois, o papa está de regresso e foi grande a especulação sobre se iria ser revelado o terceiro segredo de Fátima, numa visita em que -- isso era confirmado - Jacinta e Francisco foram beatificados. Lúcia sorriu, quando foi aclamada pela multidão.

Terceiro segredo de Fátima ou terceira parte do segredo de Fátima acabou por ofuscar a beatificação e foi anunciado pelo Cardeal Sodano, secretário de Estado do Vaticano, que antecipou a interpretação dada à "mensagem de Nossa Senhora".

Nas palavras proferidas pelo cardeal Sodano, a proteção dada ao papa "parece ter a ver também com a chamada terceira parte do segredo de Fátima", referindo claramente o atentado sofrido por João Paulo II a 13 de maio de 1981 e "a mão materna" que permitiu que o papa agonizante se detivesse no limiar da morte.

Segundo o cardeal, foi uma visão profética aquela que as três crianças terão tido, a 13 de julho de 1917: um bispo de branco que reza por todos os crentes, caminhando, com dificuldade, para uma cruz rodeada de cadáveres. O bispo, de branco, cai depois por terra, sob tiros de uma arma de fogo.

3ª visita de João Paulo II em 2000

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