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Papa Francisco em Fátima

Papamóvel existe há 90 anos mas só foi batizado nos anos 80

A viatura em que o Papa se desloca nas visitas pastorais e de Estado só passou a chamar-se papamóvel nos anos 80, mas foi em 1930 que Pio XI recebeu o primeiro modelo especialmente construído para o efeito.

"A Mercedes-Benz tem vindo a fornecer veículos para as viagens e as aparições oficiais do chefe da Igreja Católica há mais de 80 anos.

Esta ligação começou em 1930 com um Nürburg 460 pullman saloon para o Papa Pio XI e continuou na década de 1960, quando um landaulet 300d conversível com transmissão automática foi construído para o Papa João XXIII", refere uma publicação desta marca alemã.

A 12 de maio, no percurso entre o estádio e o Santuário de Fátima, o papa Francisco vai ser transportado no papamóvel habitualmente utilizado pelo bispo de Roma nas audiências gerais de quarta-feira, no Vaticano, e que chegou hoje à base de Monte Real.

No dia seguinte, o início da viagem de regresso à Base Aérea de Monte Real também será feito no papamóvel, que foi transportado de Roma para Portugal por um avião da Força Aérea Portuguesa, e que também foi oferecido ao Vaticano pelo construtor alemão.

O nome papamóvel foi usado pela primeira vez na década de 80, em referência à Mercedes-Benz Classe G que o Papa João Paulo II utilizava regularmente nas celebrações na Praça de São Pedro.

Até 1980, as viaturas utilizadas pelo bispo de Roma não se distinguiam exteriormente dos modelos de série, mas incluíam equipamentos habituais dos automóveis de Estado, como bancos em pele, comandos elétricos e climatização especial, a que foram sendo acrescentados elementos distintivos do Vaticano.

Durante cinquenta anos, os papamóveis foram limusinas de cor preta, que apesar de serem adaptadas de modelos de série, incorporavam tecnologia de ponta.

Depois do atentado a João Paulo II, ocorrido em Roma a 13 de maio de 1981, as viaturas passaram a ser blindadas, e é a partir deste ano que os papamóveis começam a ser pintados de branco.

A matrícula das viaturas usadas pelos papas é habitualmente "SCV 1", significando "Stato della Città del Vaticano" (designação, em italiano, de "Estado da Cidade do Vaticano"), com o algarismo a representar a posição do papa na hierarquia da Igreja Católica.

A partir de 1980, o papamóvel passa a ser pintado de branco, com as armas do Vaticano, e inclui uma cúpula de plástico transparente, removível, com sistema de climatização e de iluminação, de modo a permitir que o papa possa viajar sentado ou em pé, podendo ver e ser visto por todos.

Nas viagens do Papa, a regra geral é que o papamóvel seja enviado do Vaticano para os locais a visitar, mas essa norma nem sempre tem sido aplicada, refere a página oficial da visita de Bento XVI a Portugal.

Em Portugal, o papa João Paulo II utilizou um papamóvel de fabrico português: um veículo todo-o-terreno da extinta marca UMM, de cor branca, usado em 1991 na deslocação à Madeira.

O veículo, que se encontra no Funchal, foi também utilizado para transportar, em 2009, a imagem da Virgem Peregrina de Fátima na visita à diocese.

O mais inesperado veículo utilizado por um papa é um velho Renault 4L, com mais de 300 mil quilómetros, que o papa Francisco usa para se deslocar em Roma.

Lusa

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