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Pokémon Go chega à Venezuela e mobiliza cidadãos em Caracas

O jogo Pokémon Go chegou esta quinta-feira à Venezuela, estimulando os venezuelanos a caminhar pela cidade de Caracas na tentativa de capturar "criaturas" através do telemóvel.

"Baixei-o há apenas algumas horas e parece-me divertido. Estava ansioso por ver como funcionaria. Ainda não me aventurei a ir longe, mas já dei algumas votas dentro da urbanização à caça dos pokémons", disse um luso-descendente à agência Lusa.

À espera do final da tarde para reunir-se com os amigos e organizar "um grupo de caça", Luís Andrade, explicou que foi criada na rede social Twitter, a "1.ª comunidade de treinadores de Pokémon na Venezuela".

A euforia chegou também ao parlamento, organismo que vários deputados dizem ter sido invadido por "monstritos".

Pikachu, Abra, Tentacool, Flareon, Charmander, Magicarp, Drowzee, Porygon, Bulbasaur, Squirtle, Dratini, foram alguns dos nomes de "monstros" que os luso-venezuelanos disseram ter conseguido apanhar.

Mas alguns filhos de portugueses acreditam que há precauções a ter em conta antes de jogar o Pokémon Go, designadamente a segurança pessoal.

"Num país onde a insegurança é uma constante, sair a caminhar com um 'smartphone' visível é um risco bastante grande, tanto pessoal como material, pois os telefones custam um dinheirão", disse Elizabeth do Nascimento.

A chegada do Pokémon Go tem lugar depois de várias páginas da Internet noticiarem que não estaria disponível para descarregar na Venezuela.

No passado dia 27 de julho, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou o jogo virtual Pokémón Go de fazer parte da cultura de morte que impõe o capitalismo e que terá levado muitos jovens a se integrarem em organizações terroristas.

"Há que abrir um debate sobre a geração de uma cultura que gera realidades virtuais, como a realidade do recente jogo Pokémon Go. A realidade virtual é matar e matar, a cultura da morte que tem criado o capitalismo", disse durante o programa radiofónico e televisivo "Em Contato com Maduro".

Para o Presidente da Venezuela, trata-se de "um tema muito sério", porque leva os jovens a estar muito tempo ligados à tecnologia.

"A penetração dos novos mecanismos da cultura da violência na juventude venezuelana e mundial é um tema muito sério que aponta à individualização do ser humano, ligado só à tecnologia e na tecnologia ligado com realidades virtuais que o leva à cultura das armas e do mau", disse.

Como resultados desta "cultura da morte" Nicolás Maduro mencionou os recentes atentados terroristas no Afeganistão, na França, Síria e Alemanha.

"As realidades virtuais das armas, da cultura da morte que tem criado o capitalismo, isso deve ser motivo de preocupação", sentenciou, o Presidente da Venezuela que anunciou que levará o tema para ser debatido pela União de Nações da América do Sul.

Lusa

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