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Marisa Matias quer ir à segunda volta para alterar ciclo de sacrifício

A candidata presidencial Marisa Matias reafirmou hoje que não vai desistir de disputar uma eventual segunda volta das presidenciais, para "virar o ciclo do sacrifício".

NUNO VEIGA

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, que falava em S. João da Madeira num almoço com apoiantes, disse que a sua candidatura à Presidência da República vinha "dar voz aos que são silenciados e nunca se resignaram com o empobrecimento e a austeridade".

Marisa Matias considera que os poderes presidenciais zelam para que os direitos constitucionais sejam efetivos, em matérias como o acesso à justiça, a defesa da escola pública e o Serviço Nacional de Saúde, considerando que tais matérias não são meras prerrogativas governativas.

"O Presidente da República tem uma capacidade única de dar voz aos que são sistematicamente silenciados", disse, concluindo que "não basta os direitos sociais estarem na Constituição, cabendo à Presidente contribuir para que os mesmos estejam disponíveis ao cidadão".

Num outro passo da sua intervenção, a candidata saudou o acordo de Paris sobre as alterações climáticas, lamentando que "Portugal não fique na fotografia" do acordo, "porque o Presidente da República não achou importante".

A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, usou da palavra para vincar que vão estar em causa nas eleições presidenciais dois modelos: o dos cortes e a austeridade, de Passos e Portas, que apoiam Marcelo Rebelo de Sousa, e o da confiança e da esperança personificado por Marisa Matias.

"Marcelo Rebelo de Sousa nunca fala dos direitos constitucionais e não me lembro de o ver defender os direitos sociais. Quando diz que esteve em todos os lados, onde estava nos momentos que contaram?" - interrogou.

Já quanto a Marisa Matias, disse saber bem de que lado tem estado quando está em causa a defesa da escola pública, do serviço nacional de saúde, do emprego ou das pensões.

Na mesma linha, o mandatário distrital, Celso Cruzeiro, salientou as diferenças entre a direita e a esquerda e, ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, não se confundem.

"Um candidato da direita, por mais simpático que seja, tem um projeto de direita com tudo o que isso comporta. Diz que o Estado não deve intervir, mas quer intervir quando está em causa a banca. Uma candidatura de esquerda transporta consigo a luta de milhares de trabalhadores, defende a Constituição e a garantia dos direitos sociais.

Lusa

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