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Louçã diz que Marisa terá mais votos que Belém, o "marcelismo cor-de-rosa"

O antigo coordenador do BE Francisco Louçã disse na quarta-feira que a candidata presidencial Marisa Matias "terá mais votos que Maria de Belém pela força dos socialistas que são a favor da responsabilidade", os que recusam um "marcelismo cor-de-rosa".

HUGO DELGADO

Francisco Louçã já tinha estado noutras ações de campanha de Marisa Matias, mas foi no comício de quarta-feira à noite, em Braga, que discursou a primeira vez, tendo entrado ao ataque no apelo ao voto na candidata apoiada pelo BE destinado aos socialistas, aqueles que "não aceitam que a política esteja reduzida a uma guerra do seu partido, ou os que não aceitam que esta campanha seja destinada a premiar o calculismo ou uma espécie de marcelismo cor-de-rosa".

"Marisa terá mais votos que Maria de Belém pela força dos socialistas que são a favor da responsabilidade e pela força daqueles que acham que é preciso virar a página para defender, como ela faz, a justiça", vaticinou.

Outra das razões para que "o país olhe para esta campanha de Marisa Matias e recuse a banalidade" é dirigida àqueles que "não aceitam a casta, querem virar a página".

"Aqueles que não aceitam esta manobra sorrateira para defender as mordomias sabem olhar para esta mulher e reconhecer que a Marisa foi a primeira, porque vinha de dentro dela, a recusar a mordomia que alguns deputados à socapa queriam reivindicar para si", disse, falando da questão das subvenções vitalícias.

Louçã sublinhou ainda que Marisa, "a exceção contra a banalidade", nunca "desistiu de ninguém", nem dos jovens, nem das mulheres, nem da esquerda, considerando que "há 30 anos que esperamos a candidatura da Marisa", desde Maria de Lourdes Pintasilgo.

No seu habitual registo, o antigo coordenador bloquista considerou que a atual campanha para as presidenciais "é atravessada pela trivialidade da forma mais enunciada que poderíamos ter".

"Disseram-nos que era uma campanha da marmita, da sandes de queijo, das bolachas Maria, como se eleger um Presidente fosse o mesmo que escolher a publicidade para uma dieta, ou como se nós pudéssemos encontrar na campanha presidencial alguém que nos diga: 'Perdi 10 kg. Pergunte-me como' e fazer disso uma linha política de campanha", ironizou.

Segundo Louçã, "a banalidade é uma força desta política porque ela quer desgraduar a escolha democrática sobre a Presidência da República", enunciando as regras dessa mesma banalidade: "primeiro o esvaziamento, há quem nos diga que os poderes do Presidente são uma coisa que nos escolhemos em catálogo".

"Há os outros que dizem que a regra melhor de todas é um aceitómetro completo. Sim senhor primeiro-ministro. Até há um candidato que garante antecipadamente o acordo com as decisões que o primeiro-ministro ainda não tomou", acrescentou.

Para um dos fundadores do BE, há "uma arrogância implícita", porque "são candidatos que se apresentam considerando que a campanha em si própria é uma obrigação excedentária".

"Porque, na verdade, o país lhes deve um prémio, um Óscar de carreira. Como é que é possível que esta gente não me reconheça, eu que sou tão presidenciável?", ridicularizou.

Louçã terminou com perguntas, para as quais a resposta era sempre o voto em Marisa Matias: "contra candidatos sorumbáticos, não precisamos de um raio de luz? Contra candidatos medrosos, não precisamos da coragem contra a política baça? Onde é que está a paixão nesta campanha?".

Lusa

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