sicnot

Perfil

Revista do Ano

Revista do Ano

Revista do Ano 2017

O efeito Marcelo

O Palácio de Belém nunca mais foi o mesmo. Dizia-se, nos corredores, que Marcelo, ao chegar, tinha mandado abrir as janelas para arejar, sacudir os tapetes e dar uma grande varridela. Pode ter sido em sentido figurado ou literal. (Há quem garanta que foi, também, em sentido literal)

A verdade é que o “efeito Marcelo” chegou a Belém há quase dois anos e, por força do homem, transformou-se o cargo.

Dirão que é uma questão de personalidade.

E é, de facto.

Mas é mais do que isso.

Marcelo, o constitucionalista, sabe mais de política a dormir do que a maior parte de nós acordados.

E dorme pouco.

Marcelo é estratega, é maquiavel, é jogador e faz parte do jogo, é rei e peão, é um e outro lado, ao mesmo tempo, se for preciso.

Deixou governar. Deu corda à geringonça e ficou a vê-la andar. Mas esteve sempre por perto.

Depois, anunciou que “a direita está tão distraída” que nem consegue “ver que o presidente virou à direita”.

E continuou a deixar governar.

Foi deixando recados no dia a dia e cadernos de encargos para o Governo (e também para a oposição) nos discursos mais solenes, mas nem por isso mais longos ou fastidiosos.

Fala muito, todo o dia, todos os dias, sobre tudo, mas as palavras, que muitos achavam que iam banalizar o discurso e o Presidente, estão lá, com o peso que devem ter, ditas da forma como as diz, no momento em que as diz e, muitas vezes, no lugar onde escolhe dizê-las.

Marcelo é o Presidente-Rei.

Soares teve esse cognome e gostava disso.

Mas Marcelo é verdadeiramente o Presidente-Rei.

Os afetos não são ensaiados.

Marcelo foi sempre assim.

Está igual a si mesmo.

E passa pouco tempo em Belém, fechado da torre de marfim dos “poderes constitucionais”.

Porque assumiu que quer estar pertos dos seus concidadãos, junto de quem sofre, a tentar fazer alguma coisa para mudar o País.

Nem Marcelo cansou os portugueses, como muitos previam, nem os portugueses estão cansados de Marcelo.

Arrepio-me sempre que ouço a senhora em lágrimas que perdeu um filho nos fogos de Pedrógão.

Está nos braços do presidente, e só chama por ele.

Lamenta-se a ele.

Desabafa, chora, expulsa a dor, alheia às câmaras de TV, aos fotógrafos, à comitiva.

Está lá ela e Marcelo. O homem. Que retribui, afaga, consola. Escuta.

Mas também está o Presidente.

Que não deixa o tema sair de cima da mesa.

Que colocou a pobreza no centro da presidência.

Que cortou nos gastos, nos luxos e na ostentação.

Marcelo ganhou o País.

O povo.

E isso dá-lhe margem larga para o resto: para a política, para o jogo, para ser o centro da corte.

Um Rei.

E, não, quase dois anos depois, o efeito Marcelo não passou.

Está lá.

E todos os outros protagonistas terão que se haver com Marcelo.

  • "Se Portugal não confia no sistema judicial de Angola não deve fazer negócios com o país"
    18:27

    País

    O julgamento do caso Fizz arrancou esta segunda-feira. Victor Silva, diretor do Jornal de Angola, esteve na Edição da Noite para analisar como estão as relações entre Portugal e Angola, numa altura em que Manuel Vicente viu recusada a transferência do processo para o país angolano. Victor Silva afirmou que a decisão de "separar os processos vai de encontro aos interesses dos dois estados" e vai mais longe ao dizer que se Portugal "não confia no sistema judicial de Angola então não pode fazer negócios com o país".

  • "Conseguimos resultados e provámos que eles não tinham razão"
    1:01

    País

    António Costa lançou esta segunda-feira um ataque à oposição. O primeiro-ministro, que passou pelas jornadas parlamentares do PS, que decorrem em Coimbra, disse que o Governo conseguiu nestes dois anos mostrar à direita que tinha razão no caminho escolhido. Costa falou ainda de Mário Centeno no Eurogrupo e destacou a "estabilidade" que existe dentro do grupo parlamentar socialista num apontar de dedo aos sociais-democratas.

  • Centeno promete avançar com reformas para a zona euro
    1:45

    Economia

    Mário Centeno liderou esta segunda-feira a primeira reunião do Eurogrupo. O ministro das Finanças português prometeu pôr mãos à obra para reformar a zona euro e, sem se comprometer com datas, deixou a porta entreaberta à entrada da Bulgária na zona euro.

  • Obras no Estádio do Estoril já começaram

    Desporto

    A Câmara de Cascais emitiu esta segunda-feira um comunicado a informar que já começaram os trabalhos no Estádio do Estoril e que, segundo a autarquia, seguem as recomendações do Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

  • Será este o "momento mais Ronaldo" de sempre?

    Desporto

    Cristiano Ronaldo é protagonista de mais um momento que corre nas redes sociais. Depois de marcar o sexto golo do Real Madrid frente ao Desportivo da Corunha, o jogador português ficou ferido no rosto e foi obrigado a abandonar o campo. Mas antes, mesmo com a cara ensanguentada, pediu um telemóvel com "espelho" para ver a extensão do corte. Há quem brinque com a situação, dizendo que Ronaldo levou a sua obsessão com a sua imagem a um novo nível, mas há também quem desvalorize a situação.

    SIC

  • O jogador de futebol que se tornou Presidente de um país

    Mundo

    George Weah tomou posse esta segunda-feira como Presidente da Libéria. Foi a segunda vez que o antigo futebolista concorreu ao cargo, depois de em 2005 ser derrotado pela candidata Ellen Johnson-Sirleaf. Foi o primeiro e único futebolista africano a receber uma Bola de Ouro. A história de George Weah também passou por Portugal, onde ficou conhecido pela agressão ao ex-jogador do FC Porto, Jorge Costa, em 1996.

    Ana Rute Carvalho

  • Democratas aceitam compromisso para acabar com shutdown nos EUA

    Mundo

    Os senadores democratas aceitaram esta segunda-feira um acordo orçamental provisório que vai permitir acabar com a paralisação parcial do Governo federal dos Estados Unidos, situação conhecida como shutdown, anunciou o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer.

  • Decifrado pergaminho encontrado há 50 anos

    Mundo

    Investigadores israelitas reconstituíram e decifraram um dos dois manuscritos de pergaminhos do Mar Morto que nunca tinham sido interpretados desde que foram descobertos há meio século, anunciou a universidade israelita de Haifa.

  • Refeição de 1.100 euros em Veneza

    Mundo

    O centro de Veneza oferece os mais variados restaurantes. Com menu obrigatório, sem menu, com taxas, sem taxas, sentando ou em pé. Depois há aqueles restaurantes que cobram 1.100 euros por cinco pratos acompanhados por água. O caso aconteceu com quatro turistas japoneses, que depois de pagarem a conta, apresentaram queixa às autoridades. O presidente da Câmara da cidade italiana já disse que ia investigar a situação e, caso se confirmasse, prometeu que iria castigar os responsáveis.

    SIC