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Rio 2016

Atletas olímpicos continuam a usar "doping legal"

© USA Today Sports / Reuters

O meldonium é a "droga legal" que se tornou mais conhecida com o escândalo que envolveu os atletas russos - muitos dos quais acabaram por ser impedidos de competir nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Mas há mais medicamentos do género a serem usados por atletas que atualmente competem nas Olimpíadas, afirmam especialistas.

Quando a tenista Maria Sharapova admitiu em março que tomava uma medicamento para o coração chamado meldonium, levantou-se um pouco do véu do que é prática corrente em competições desportivas: o "doping legal". Medicamentos prescritos por médicos, vendidos legalmente em farmácias e que melhoram a performance de atletas.

As autoridades desportivas não impuseram proibições a estas drogas legais e há muitos atletas no Rio que aproveitam o vazio legal, afirmam especialistas.

"Se não foi proibido, os atletas usam-no", garante o cientista Ronald Evans, do Laboratório norte-americano Gene Expression Laboratory, em entrevista à rádio NPR.

Meldonium é um fármaco para doenças cardíacas, mas também melhora o desempenho sexual e desportivo e foi proibido no meio desportivo desde o início do ano. Como a tenista Sharapova admitiu a utilização do medicamento em março, acabou por ser banida dos Jogos Olímpicos. Como ela foram impedidos de participar centenas de atletas, sobretudo russos.

Desde a proibição, o meldonium foi detetado em mais de 100 atletas, segundo a Agência Mundial Antidoping, mas os níveis da droga são baixos, pelo que foram autorizados a participar nestes Jogos.

Mas nem só de meldonium "vive" o doping legal. Outros medicamentos "que melhoram a circulação sanguínea, melhoram o nível de oxigénio nos músculos, logo, melhoram a performance", sublinha Ronald Evans. Todos fáceis de obter.

Outro medicamento é o telmisartan, recomendado para a pressão arterial e que, tal como o meldonium, melhora a circulação sanguínea. Foi colocado numa lista da Agência Mundial Antidoping de drogas a monitorizar, mas nunca foi proibido.

E isso significa que um atleta "tem necessariamente de considerar tomá-lo", conclui Ronald Evans.

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