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Rússia anuncia que vai processar autores do Relatório McLaren

A Rússia anunciou este sábado que vai processar os autores do Relatório McLaren, divulgado a 18 de julho pela Agência Mundial Antidopagem (AMA), que revelou a existência de um esquema de doping patrocinado por Moscovo.

A divulgação do documento levou à exclusão de 118 dos 389 atletas que inicialmente integravam a equipa nacional da Rússia para os Jogos Olímpicos do Rio2016.

"Estudámos o relatório e concluímos que é falso e que a fundamentação jurídica não resiste a nenhuma crítica. Recorreremos para os tribunais civis e os seus autores serão processados pela via penal", disse hoje o ministro dos Desportos russo, Vitali Mutkó.

O responsável russo acrescentou que Moscovo irá também processar a empresa que fabrica os recipientes em que foram armazenadas as amostras recolhidas aos atletas russos que, de acordo com o Relatório McLaren, estariam marcadas, demonstrando a sua manipulação.

Vitali Mutkó reiterou a acusação de Moscovo de que o caso tem motivações políticas e que "a política e as instituições se intrometem no desporto".

"Vimo-lo no futebol", acrescentou o ministro, numa referência ao escândalo de corrupção que levou ao afastamento de Joseph Blatter da presidência da FIFA.

No início da semana, a justiça russa anunciou a intenção de interrogar o presidente da AMA, Craig Reedie, e o próprio Richard McLaren.

"Até agora, a AMA não nos apresentou provas concretas de doping por parte dos atletas russos. Além disso, não recebemos ainda nenhuma resposta às diligências feitas junto do Canadá, Estados Unidos e Suíça para cooperação jurídica", acrescentou Vladímir Markin, porta-voz do Comité de Instrução da Rússia.

Em consequência do Relatório McLaren, também toda a equipa paralímpica russa foi excluída pelo Comité Paralímpico Internacional (CPI) dos Jogos Rio2016, Brasil, que arrancam a 07 de setembro.

O Comité Paralímpico da Rússia (CPR) recorreu já da decisão.

Na quinta-feira, durante a cerimónia de homenagem aos medalhados nos Jogos Rio2016, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a exclusão da equipa paralímpica é uma decisão "humilhante e inumana".

O relatório do professor canadiano Richard McLaren refere que o programa "à prova de falhas" foi colocado em prática pelos responsáveis russos, inclusivamente durante os Jogos Olímpicos de Inverno Sochi2014.

De acordo com o documento, o ministro dos desportos da Rússia teve "participação ativa" neste sistema, que teve a assistência dos serviços secretos nos laboratórios antidopagem de Moscovo e Sochi.

Lusa

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