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Polícia quer ouvir presidente do COI no caso da rede ilegal de bilhetes

A polícia do Rio de Janeiro revelou esta quinta-feira que pretende ouvir como testemunha o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, no âmbito da investigação sobre a venda ilegal de bilhetes desmantelada durante os Jogos Olímpicos.

"Queremos ouvir Thomas Bach como testemunha desde que ele foi citado em 'e-mails' para esclarecer algumas dúvidas", disse hoje Ronaldo Oliveira, chefe da Polícia Civil do Rio durante uma conferência de imprensa.

Thomas Bach não participou na quarta-feira na cerimónia de abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio por ter marcado presença no funeral do antigo presidente alemão Walter Scheel.

A ausência de presidente do COI, - inédita desde 1984 -- foi tanto mais surpreendente quanto é sabido que o seu serviço de imprensa tinha informado que ele estaria no Rio de Janeiro durante os Jogos Paralímpicos, até 18 de setembro.

Isso aumentou as especulações da imprensa brasileira acerca da intenção da polícia querer ouvir Thomas Bach no âmbito do processo contra o ex-presidente do Comité Olímpico Irlandês, Parick Hickey, detido a 17 de agosto no Rio de Janeiro e acusado de participar numa rede de venda ilegal de bilhetes para os Jogos.

Em julho de 2015, Patrick Hickey enviou um 'e-mail' para Thomas Bach a solicitar mais bilhetes do que aqueles que lhe tinham sido concedidos para Rio2016, alegando que tinha recebido muitos mais em 2012 para os Jogos de Londres, revelou Ricardo Barbosa de Souza, comissário do departamento de combate à fraude, na mesma conferência de imprensa.

"O senhor Bach não respondeu, mas sabemos que o senhor Hickey foi premiado com 296 bilhetes adicionais para os Jogos Olímpicos do Rio e é por isso que queremos ouvir o presidente do COI", acrescentou o comissário.

A troca de 'e-mails' entre ambos foi encontrada no disco rígido do computador de Martin Burk, outro membro do Comité Olímpico Irlandês, durante uma pesquisa conduzida pela polícia do Rio no hotel da delegação irlandesa.

No total, o tráfego gerou uma receita de, pelo menos, 10 milhões de reais (2,8 milhões de euros), de acordo com a polícia, que apreendeu 781 bilhetes destinados a serem vendidos a preços muito elevados, especialmente para cerimónias de abertura e encerramento dos Jogos.

Patrick Hickey, de 71 anos, foi detido a 17 de agosto no Rio de Janeiro numa prisão de alta segurança, e mais tarde libertado por razões de saúde, mas teve de entregar seu passaporte e foi proibido de deixar o território brasileiro.

Lusa

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