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Sindicato e Conselho Deontológico repudiam ataque de advogado de Sócrates a jornalista

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) e o Conselho Deontológico repudiaram o "insultuoso ataque" que o advogado de José Sócrates, João Araújo, fez a uma jornalista do Correio da Manhã (CM) e esperam que "não se volte a repetir".

(Lusa/ Arquivo)

(Lusa/ Arquivo)

ANDRÉ SANANO/LUSA

Numa posição conjunta da direção do SJ e do Conselho Deontológico sobre os insultos a jornalistas, enviada à Lusa, as duas entidades "repudiam o insultuoso ataque" e esperam "que não se volte a repetir".

"Num quadro geral de aumento de ataques e insultos a jornalistas assistimos hoje a um inusitado ataque a uma jornalista do Correio da Manhã por parte do advogado João Araújo, referem, salientando que "a jornalista estava a desempenhar o seu dever profissional após uma decisão de um tribunal". 

O advogado, acrescentam, "tem todo o direito a não responder a jornalistas, mas não pode insultar ninguém", pelo que "repudiam o insulto feito a uma jornalista" do Correio da Manhã. 

Entretanto, a jornalista Tânia Laranjo, CM, anunciou que vai apresentar uma queixa-crime ao Ministério Público contra o advogado de José Sócrates e uma outra à Ordem dos Advogados.

Em causa está a forma como João Araújo se dirigiu à jornalista no final da apreciação do pedido de 'habeas corpus' pelo Supremo Tribunal de Justiça, ao sugerir que "tomasse mais banho" porque "cheira mal".

A jornalista apresentará uma queixa em nome próprio, patrocinada pelo jornal Correio da Manhã, ao Ministério Público e outra à Ordem dos Advogados.

Em declarações à Correio da Manhã TV, o diretor do CM, Octávio Ribeiro, disse que o "jornal está disposto a processar" João Araújo.


As declarações de João Araújo ocorreram junto ao edifício do STJ, onde foi analisado e rejeitado o pedido de libertação imediata (habeas corpus) de José Sócrates apresentado pela defesa do ex-primeiro-ministro, num caso que teve como relator o juiz conselheiro Santos Cabral.

Na providência dirigida ao Supremo, a defesa de Sócrates alegava que o juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), deveria ter revisto a medida de coação de prisão preventiva ao fim de três meses, mas que ultrapassou esse prazo, e questiona também a competência do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e do TCIC para analisaram factos que alegadamente remontam ao período em que Sócrates era primeiro-ministro, pelo que a investigação caberia, por lei, ao STJ.


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