Operação Marquês

Grupo Lena pondera pedir abertura de instrução do processo

O Grupo Lena, que detém as empresas Lena Engenharia e Construções, SA, Lena Engenharia e Construções, SGPS e Lena SGPS, acusadas na Operação Marquês, pondera pedir a instrução do processo.

Numa nota enviada à comunicação social, a Comissão Executiva do Grupo Lena afirma que vai "analisar, em conjunto com os advogados, o teor da acusação deduzida, sendo praticamente certo" que irão pedir "a abertura da instrução do processo".

"É revelador da consistência das acusações do Ministério Público a enorme discrepância entre as acusações e suspeitas iniciais, em que o Grupo Lena era apresentado e exposto na praça pública como o único corruptor do antigo primeiro-ministro José Sócrates, e as acusações agora concretizadas, em que o Grupo Lena, para o mesmo Ministério Público, tem um papel residual nessa alegada teia de corrupção", refere ainda a nota.

O Grupo Lena considera também que, "pelo conhecimento que tem dos factos, não será possível provar em juízo nenhuma das acusações contra o Grupo Lena, na medida em que nenhuma delas corresponde à verdade, sendo apenas teorias da acusação, sem nenhuma prova que as sustente".

Segundo a nota, existe uma "diferença abissal entre as suspeitas tornadas públicas inicialmente e o teor da acusação agora produzida".

A Comissão Executiva do Grupo Lena entende também que é "da mais elementar justiça o arquivamento do processo respeitante ao CEO do Grupo Lena", Joaquim Paulo da Conceição, "que consequentemente deixou de ser arguido neste processo".

Segundo o comunicado, "nunca se percebeu, a não ser para melhor assegurar a sua defesa enquanto cidadão e profissional, a razão da constituição como arguido de Joaquim Paulo da Conceição, que na altura dos pretensos factos nem sequer exercia funções na 'holding' do Grupo Lena".

O Grupo Lena apela "aos seus vários 'stakeholders', desde logo os milhares de colaboradores, mas também os clientes, fornecedores e banca, para, agora com confiança redobrada, continuarem a apoiar o Grupo Lena na superação das dificuldades, garantindo que não esmorecerá até o processo ter fim".

No sentido, diz a nota, de "conseguir resgatar a reputação do Grupo Lena, injustamente vilipendiada, com o apuramento da verdade, que não poderá deixar de ilibar total e completamente o Grupo e os seus gestores".

De acordo com o despacho publicado pela Procuradoria-Geral da República, Joaquim Barroca Rodrigues, ex-administrador executivo e fundador do Grupo Lena, está acusado pela prática de crimes de corrupção ativa de titular de cargo político (1), corrupção ativa (1), branqueamento de capitais (7), falsificação de documento (3) e fraude fiscal qualificada (2).Já a Lena Engenharia e Construções, SA, foi acusada da prática de crimes de corrupção ativa (2) branqueamento de capitais (3) e fraude fiscal qualificada (2).

A Lena Engenharia e Construções, SGPS foi acusada dos crimes de corrupção ativa (2) e branqueamento de capitais (1), exatamente o mesmo número e tipo de crimes da Lena SGPS.Na "Operação Marquês" estão acusados 28 arguidos, 19 pessoas e nove empresas, num total de 188 crimes.

Com Lusa

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