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Surto de sarampo

Surto de sarampo

Surto de sarampo

O mito de que a vacinação pode causar autismo nas crianças

© Reuters

Em 1998 foi publicado um estudo que associava a vacinação ao autismo. O estudo foi desconstruído e desmentido nos anos seguintes, mas o mito persistiu.

O estudo, realizado pelo médico britânico Andrew Wakefield, tinha sido publicado pela prestigiada revista científica The Lancet em 1998. Associava a vacina tríplice (sarampo, rubéola e papeira - VASPR) a casos de autismo. Anos mais tarde, a revista The Lancet veio reconhecer que não deveria ter divulgado a análise, que se baseava apenas numa amostra de 12 crianças.

Em 2011, o British Medical Journal publicava um artigo em que afirmava que o estudo de 1998 que ligava o autismo à toma de uma vacina foi uma "falsificação elaborada". Acusava ainda o médico Andrew Wakefield de ter falsificado dados para o seu estudo a troco de dinheiro.

Em resposta, o médico acusou quem lhe apontava as falhas de defenderem os interesses da indústria farmacêutica.

Numa entrevista à cadeia norte-americana CNN, Andrew Wakefield negou ter falsificado quaisquer dados e disse estar perante uma "tentativa sem escrúpulos de abafar um inquérito sobre as inquietações legítimas" sobre a segurança de uma vacina.

Vários estudos têm desmentido ligação entre vacinas e autismo

Depois do estudo de 1998, que causou o pânico no Reino Unido e nos Estados Unidos, vários outros estudos têm afirmado não haver qualquer relação entre o aparecimento do autismo e a vacina tríplice.

Segundo os serviços norte-americanos do controlo e prevenção de doenças, a atitude de muitos pais, que se negaram a vacinar os filhos, contribuiu para um aumento, há alguns anos, de casos de sarampo nos Estados Unidos e em alguns países europeus.

As investigações sobre esta alegada associação sucederam-se na primeira década de 2000, todas elas concluindo que o estudo do médico britânico estava errado.

Em 2010, Andrew Wakefield foi expulso do General Medical Council, organismo em que todos os médicos têm de ser registados.

Em Portugal, uma investigação do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina de Lisboa demonstra que não há ligação entre a vacinação e o autismo, concluindo que "em termos de autismo, é perfeitamente seguro vacinar as crianças de acordo com o Plano Nacional de Vacinação, já que os benefícios daí decorrentes são de grande importância clínica para o futuro das nossas crianças e os riscos são negligenciáveis".

Situação do sarampo em Portugal em abril de 2017

Em setembro de 2016, Portugal foi declarado livre de sarampo, depois de quase 20 anos sem um caso declarado.

Desde janeiro de 2017, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), foram confirmados 21 casos de sarampo em Portugal, havendo outros 18 casos em investigação. Houve ainda oito casos suspeitos, mas as análises feitas pelo Instituto Ricardo Jorge deram negativo para sarampo.

Uma jovem de 17 anos, que não estava vacinada, morreu a 19 de abril de 2017 com sarampo no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.

Surto de sarampo na Europa

Pelo menos 14 países europeus têm registado surtos de sarampo desde o início deste ano, com a Roménia a liderar o número de casos, com mais de quatro mil doentes em seis meses.

Segundo o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa), o número de países europeus com casos de sarampo foi crescendo no início deste ano e quase todos eles terão ligação ao surto que começou na Roménia em fevereiro de 2016.

Além de Portugal, registaram surtos de sarampo a Áustria, Bélgica, Bulgária, Espanha, Dinamarca, França, Alemanha, Hungria, Islândia, Itália, Suíça e Suécia.

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