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Tragédia em Pedrógão Grande

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Liga dos Bombeiros diz que o Estado falhou e aponta responsabilidade política

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses disse esta quinta-feira que o Estado falhou no incêndio que começou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho, fogo que provocou a morte a 64 pessoas e mais de 200 feridos.

"Há responsabilidades políticas. O Estado falhou. O Estado falhou, não só neste processo, como em outros. Tem de se analisar tudo isto", afirmou Jaime Marta Soares à agência Lusa.

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses esteve hoje numa reunião em Pedrógão Grande, num encontro que juntou o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e as corporações de bombeiros daquele concelho e ainda de Figueiró dos Vinhos, Góis e Castanheira de Pera.

"Não podemos escamotear e não podemos esquecer os responsáveis políticos na área da floresta. Há quase 50 anos que vivemos em democracia e infelizmente os portugueses nunca tiveram a sorte de ver que fossem escolhidas pessoas com competência para a floresta. Os fogos evitam-se, não se combatem", sustentou.

Jaime Marta Soares realçou que as responsabilidades têm que ser apuradas e adiantou que é necessário que todos façam uma profunda reflexão.

"A Liga está a fazê-la e só espero que todos a façam com a mesma isenção. Não procurando qualquer tipo de caça às bruxas, a culpa não pode morrer solteira, porque há uma situação muito grave que foi a morte de 64 pessoas. E, o apuramento de tudo até às últimas consequências será, no fundo, uma homenagem àquelas pessoas (...) para lhes dizer que a morte deles não foi em vão e que cada responsável, na sua área de intervenção tem que assumir", disse.

O presidente da Liga de Bombeiros Portugueses realçou que o papel de todos os agentes envolvidos foi importante e que todos deram o seu melhor para solucionar o "grave problema" que foi o incêndio de Pedrógão Grande.

"Algo de anormal se passou", frisou.Jaime Marta Soares admitiu que "muitas vezes" há falhas, "tanto humanas como técnicas", mas há que ter "a coragem e a honestidade intelectual para, se falharam esses equipamentos, assumir que falharam".

"E não tenho dúvidas que falharam", concluiu.

Lusa

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