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Tragédia em Pedrógão Grande

Tragédia em Pedrógão Grande

Tragédia em Pedrógão Grande

Fogo de Pedrógão causado por descarga elétrica

PAULO CUNHA

Já se sabem as causas dos incêndios que começaram em Pedrógão Grande e Góis a 17 de junho. O fogo de Pedrógão foi causado por descargas elétricas mediadas pela rede de distribuição de energia. Em Góis a causa foi um raio. Esta é a conclusão do relatório da comissão técnica independente designada para analisar os fogos de junho na região Centro.

De acordo com o relatório hoje entregue na Assembleia da República e tornado público, "os incêndios de Pedrógão Grande (28.914 hectares) e Góis (17.521 hectares), o segundo e o oitavo maiores de sempre desde que há registos, foram causados, respetivamente, por descargas elétricas mediadas pele rede de distribuição de energia e por raio".

"O incêndio de Pedrógão Grande é muito provavelmente aquele que, em Portugal, libertou mais energia e o fez mais rapidamente (com um máximo de 4.459 hectares ardidos numa só hora), exibindo fenómenos extremos de vorticidade e de projeção de material incandescente a curta e a longa distância", sintetiza o relatório.

Entre estes incêndios e outros de grandeza semelhante, refere ainda o documento, há diferenças importantes, já que "são os primeiros a acontecer ainda na primavera" e estão num patamar inferior em relação aos índices de perigo meteorológico associados à velocidade de propagação do fogo e à quantidade de combustível morto disponível para arder.

"Consequentemente, a excecionalidade destes eventos resulta da sinergia e encadeamento com fatores adicionais, a saber: o adiantado estado de secura da vegetação, que distingue o ano de 2017 de qualquer um dos anos anteriores; a grande instabilidade da atmosfera e o seu perfil de humidade, implicando muita energia disponível para fenómenos convectivos e para correntes de ar descendente; o efeito da frente de rajada na velocidade de propagação, intensidade frontal e capacidade do incêndio para gerar focos secundários", descreve o relatório.

É ainda referido no documento que esta possibilidade de expansão das chamas "permitiu que o incêndio aproveitasse e reforçasse a estrutura favorável da atmosfera, fazendo ascender a coluna de convecção até à formação de um pirocúmulonimbo, em que processos atmosféricos dominam o fogo e o tornam mais errático e perigoso".

Ocorreu também "o colapso da coluna de convecção, que originou a forte corrente de ar descendente ('downburst'), causador do súbito e violento crescimento do fogo".

Lusa

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