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Web Summit 2016

"A frase que mais ouço quando digo que sou blogger é: 'Mas dá para viver disso?'"

Martim Mariano

Gestor de redes sociais

Jornalista

É certo e sabido que a internet e as redes sociais abriram as portas a novas realidades laborais e sobretudo a oportunidades profissionais espalhadas um pouco por todo o mundo. Portugal não foge à regra e é cada vez mais uma parte desse todo, como o demonstra a organização da WebSummit para o triénio 2016-18. Foi precisamente por lá que encontramos a Sara Riobom, uma engenheira industrial convertida à blogosfera e a fazer vida disso mesmo.

Fizemos um direto para o Facebook e ficámos de falar depois sobre o que faz e como vive uma blogger portuense que escreve só e quase somente sobre a Invicta. A entrevista fez-se como grande parte das conversações nos dias de hoje: por email, com acertos e arranjos por Facebook Messenger.

Fala-nos um pouco de ti. Quem é a Sara Riobom? 

Sou blogger no Portoalities por vocação e engenheira por mero acaso, como costumo dizer (risos). Nasci e fui criada no Porto e desde muito cedo que me lembro de escrever. Desde poemas, pequenos contos e outras tantas histórias, sempre escrevi bastante e agora escrevo artigos completos sobre a minha cidade.

Quando ia com os meus pais a casa de quaisquer que fossem os amigos, procurava sempre as bibliotecas. Adorava a ideia de poder fazer viagens distantes a bordo de um livro de ocasião. Inspirada pelo que lia, chegava a casa e espalhava pela casa folhas de papel que escrevia avidamente. No entanto só há relativamente pouco tempo é que passei a equacionar a hipótese de olhar para a escrita como uma profissão.


Que percurso fizeste até decidires que querias ser blogger?

A transição foi bastante natural. Trabalhava numa empresa de consultoria em Lisboa e já não me revia naquilo que fazia. Estava farta e decidi sair para voltar ao meu Porto.
Foi então que comecei então a fazer tours turísticos pela cidade.

Rapidamente constatei que todos os dias os turistas que encontrava me faziam perguntas a que muitas vezes eu não sabia responder. Eram curiosidades de várias naturezas que abrangiam desde os monumentos do Porto, aos comportamentos dos “tripeiros”, às tradições da cidade.

No final de cada dia ia para casa estudar, ou dava um salto a uma biblioteca à procura da resposta às infinitas perguntas que me colocavam. Daí a começar a publicar as respostas publicamente foi um passo muito curto – e foi precisamente assim nasceu o Portoalities.

Como é que definiste o rumo e a linha que querias dar ao teu blog?

Desde o início quis que fosse um espaço de e para a comunidade do Porto, em que por comunidade se entende não só os habitantes do Porto mas também os turistas de curta duração, que aqui ficam por uns dias, os expatriados e os estudantes Erasmus da cidade, que são grupos em franco crescimento. O Portoalities existe como plataforma digital exatamente nesse formato - Pergunta & Resposta (Q&A).

Todos os dias recebo perguntas sobre o Porto, às quais respondo por email e, quando acredito que o tema da pergunta é do interesse geral, publico a resposta à mesma no blog, com o nome e a nacionalidade da pessoa que me contactou. É um formato único que permite que o rumo do blog seja definido não só por mim mas por todos os seguidores

Se tivesses que enquadrar o teu blog numa categoria específica... qual escolhias?

Creio que se trata de um "city blog", ou seja, um blog de cidade, por se focar maioritariamente no Porto e no que a Porto diz respeito. No entanto, escrevo também sobre outras regiões do país, porque o Porto é, para grande parte dos turistas, um ponto de partida para a descoberta de outros sítios, como o Douro, Braga, Guimarães, Coimbra, Aveiro, etc. Interessa-me promover o Porto mas também o Norte e Portugal como um imenso e lindo país a explorar.

"É maravilhoso experimentar o Porto todos os dias de uma perspetiva diferente, à medida das visões que outras pessoas têm sobre a cidade."


Quando é que chegou o momento em que decidiste "deixar tudo o que tinhas" para te agarrares ao blog como "full time job"?

Os acontecimentos, mais uma vez, desenrolaram-se de uma forma muito natural. O Portoalities teve uma receção bastante positiva desde o início, talvez porque o seu formato é realmente inovador e porque dá uma resposta direta às dúvidas da comunidade. Ao longo do tempo, as pessoas foram-me contactando não só com perguntas mas também para a realização de tours privadas não só no Porto como no Douro, Braga e Guimarães. Algumas empresas contactaram-me para organizar actividades de team building, ou para a escrita de artigos patrocinados. E, aos poucos, o blog transformou-se na minha vida profissional. É algo que hoje me enche de satisfação e orgulho.

Que fatores pesaram na tua decisão?

Quando trabalhava em Lisboa um amigo disse-me: “esta sexta-feira de sol, em que tenho 25 anos, nunca mais se vai repetir”. Essa frase foi determinante para que me pusesse a pensar na volta radical que tinha que dar à minha vida. A sensação real de estar a perder mais um dia a fazer algo de que não gostava mexeu comigo.

É maravilhoso experimentar o Porto todos os dias de uma perspetiva diferente, à medida das visões que outras pessoas têm sobre a cidade. É um desafio constante “moldar” a cidade de acordo com a expectativa dos turistas que me procuram para fazer tours privados. E é um privilégio poder divulgar os bons serviços que o Porto oferece neste momento.

Sara Riobom é blogger mas também faz passeios turísticos pela cidade do Porto

Sara Riobom é blogger mas também faz passeios turísticos pela cidade do Porto

Quais foram as frases que ouviste mais vezes quando anunciaste (aos pais, à família, aos amigos) que ias tornar-te blogger a tempo inteiro?

A frase que mais ouço quando digo que sou blogger é “mas dá para viver disso?” (risos). A minha família apoiou-me incondicionalmente desde o início.
Os meus amigos também reagiram bastante bem – somos de uma geração em que o mercado de trabalho se apresenta bastante volátil, e cada vez mais aparecem “cartas fora do baralho”, que se atrevem a fazer diferente, a mudar de rumo, a tentar mudar o mundo. Por isso, outra das frases que ouço muito é “admiro a tua coragem”, o que aceito de forma muito humilde. Gosto de pensar que sou um exemplo positivo para as pessoas à minha volta.

Quais são as vantagens e desvantagens de ser blogger a tempo inteiro?

A grande vantagem é dedicar a minha vida a fazer algo de que gosto realmente e que sinto que fazia falta ao Porto. É evidente que seria mais fácil de outra forma – trabalhando por conta de outrem trabalhava menos e tinha mais estabilidade financeira; Não levava trabalho para casa, como se costuma dizer.

Quando criamos algo nosso, principalmente se é um projeto virtual, a fronteira entre a nossa vida profissional e a pessoal tem de ser muito bem balizada desde o início.

Por outro lado, creio que em Portugal ainda existe algum desconhecimento sobre o que é que um blogger faz efetivamente. Algumas pessoas pensam que ser blogger passa por ir a restaurantes e a eventos e tirar umas fotografias, mas como eu costumo dizer, isso não me enche o frigorífico ao final do mês (risos).

Dá muito trabalho criar e manter um blog que seja agradável aos olhos de quem o vê e que se mantenha sempre a par das tendências. À criação de conteúdos soma-se a gestão da plataforma em si e das páginas nas diferentes redes sociais em que o Portoalities está presente, a gestão de uma rede de networking, a investigação para responder às perguntas que me colocam e a procura de novas formas de atrair mais leitores para o blog. É toda uma panóplia de conhecimentos aprendidos e em aprendizagem constante sobre marketing digital, estratégia empresarial e criação de conteúdos.

"Algumas pessoas pensam que ser blogger passa por ir a restaurantes e a eventos e tirar umas fotografias, mas como eu costumo dizer, isso não me enche o frigorífico ao final do mês (risos)."

Como é um dia normal da tua vida?

Um dia normal... uma das vantagens de ser blogger é não ter dias “normais”.
O turismo no Porto tem uma grande sazonalidade, como qualquer outra cidade, e por isso no Inverno dedico mais tempo à escrita de conteúdos - próprios e patrocinados - e à investigação. Quando regressa o bom tempo foco-me mais na realização de tours.

Tens rotinas ou coisas que faças diariamente?

Numa base diária, tenho a gestão das redes sociais – o Portoalities está no Facebook, Instagram e no Youtube e o contacto com potenciais clientes e parceiros do Portoalities. A isso soma-se, naturalmente, a resposta às perguntas que me chegam diariamente. A gestão de conteúdos é algo que posso fazer diária, semanal ou mensalmente, dependendo das perguntas que me vão colocando.

Qual é o papel das redes sociais na "vida" do teu blog? 

As redes sociais são fundamentais na vida de qualquer blog, e o Portoalities não é excepção. São canais de comunicação premium para divulgarmos não só os nossos conteúdos como também os nossos serviços / produtos, bem como a forma mais direta de comunicarmos com os nossos leitores.

Vieste recentemente a Lisboa, fazer a cobertura da WebSummit. Porquê? O que é que este evento tem que te levou a vir cá abaixo?

O Web Summit é um evento tecnológico que reuniu mais de 50.000 pessoas de todo o mundo em Portugal e isso por si só já era um fator de grande atração para mim. É um evento megalómano, no sentido positivo, que representa uma imensa oportunidade para conhecer novas empresas, assistir a conferências com speakers que admirava apenas à distância e estabelecer bons contactos.

Foste a todos os dias do evento?

Sim, fui. Só não estive lá mais tempo porque era difícil ir a todas as conferências, conhecer todos os stands de empresas e de startups, estar presente em todos os eventos satélite do Web Summit e ainda ir para o Bairro Alto participar nos famosos pub crawls do evento (risos). Foi uma experiência cansativa mas enriquecedora, sem dúvida.

A Farfetch foi uma das presenças documentadas por Sara na Web Summit

A Farfetch foi uma das presenças documentadas por Sara na Web Summit

O que é que a WebSummit significa para uma blogger do Porto?

No meu caso em particular interessava-me particularmente perceber e documentar a presença do Porto no Web Summit. A Câmara Municipal do Porto tem investido cada vez mais na criação de um ambiente propício à inovação e ao empreendorismo que consiga captar e reter o enorme talento que se forma na nossa universidade, institutos e escolas. Isso esteve bem visível no Web Summit, e fazia todo o sentido que eu lá estivesse a documentá-lo.

Fizemos um direto para o Facebook na página da Visão que foi partilhado nas páginas da SIC Notícias e Expresso. Isto teve alguma repercussão no blog?

Foi excelente ter feito esse vídeo em direto com a Visão, não só porque gosto imenso de trabalhar com vídeo mas porque teve um grande impacto no blog. O vídeo teve, em dois ou três dias, cerca de 10.000 visualizações no Facebook, o que se reflectiu num aumento muito significativo das visualizações de páginas no Portoalities nos dias que se seguiram. Uma prova de que o formato live streaming veio para ficar, e de que o futuro dos media passa muito pelas redes sociais.

Em que medida é que a cobertura de um evento como o WebSummit pode ser interessante para uma blogger do Porto? Vieste documentar a presença de startups portuenses?

Pessoalmente foi bastante interessante fazer um panorama escrito da presença do Porto na Web Summit, através, nomeadamente, do stand do movimento ScaleUp Porto, dos stands de empresas já consolidadas no mercado como a Farfetch e a Blip e de startups que estão agora a dar os seus primeiros passos, angariando as suas primeiras rondas de investimento. É todo um ecossistema de emprendorismo portuense que é essencial congregar e dar a conhecer ao mundo, e espero ter contribuído para isso com o artigo que publiquei sobre a presença do Porto no Web Summit.

Vais voltar no próximo ano?

Depende da minha agenda nessa altura – como disse, uma das características de ser blogger é ter uma agenda bastante diversificada e, muitas vezes, imprevisível... mas se tiver a oportunidade, sim, estarei lá novamente.

Para terminar faço-te aquela pergunta da praxe em qualquer entrevista de emprego "à moda antiga": o que te vês a fazer daqui a 5 anos?

É difícil responder a essa questão na medida em que o Portoalities é um projecto relativamente recente e estou a testar vários produtos e serviços no mercado, muito à medida do que os turistas e as empresas locais me vão solicitando, que abrangem desde tours privadas, artigos patrocinados, actividades de team building e cobertura de eventos do Porto. Se há cinco anos me perguntassem como me via agora, a resposta não poderia ter sido mais diferente. O caminho vai-se construindo. E o meu tem sido de aprendizagens e conquistas, de sonhos de infância reconstituídos a cada dia. Sou feliz.

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